Veremos em que dá...

Blog pessoal de Lucio Baena de Melo.

Li hoje que milhares de blogs são criados diariamente e não duram mais que 6 meses.

EIS MAIS UM FORTE CANDIDATO!

Tentarei escrever aqui alguns pensamentos, comentários sobre o dia a dia que se vive embaixo do sol...

Este foi o primeiro post e o deixarei aqui pois explica o título do blog: Um Peregrino.
Por que "Um Peregrino?"

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Pedro, a Rocha (2)

     

     Dr. Pedro, 

     Semanas atrás, ainda em janeiro, escrevi aqui neste blog algumas linhas sobre a perda de teu filho, o Kiki. Soube pelo Pedroca, (teu filho mais velho) que ele lhe leu o texto e o Sr. ficou tocado e agradecido. Como iríamos saber que 20 dias depois chegaria tua hora?

    Meu Pedro, estive trazendo à memória alguns momentos e os mencionarei aqui. 

    Creio que a primeira vez que te vi foi entre 1991 e 1992. Eu era calouro da Gloriosa MED UEL, a escola que teu irmão fundou e que o Sr. foi nosso inconteste chefe. Recordo de estar no saguão principal do HU e um grupo de médicos descia a escadaria que vem das enfermarias. Na frente, o Sr. liderava o grupo. Avental branco impecável com nome bordado, gravata, canetas vistosas no bolso. Imponência... Pensei: esse homem é importante, deve ser o chefe. E atrás o seguia o grupo de médicos e na sequência residentes e alunos. Estes, no fim da fila. Alguns anos depois eu estaria também no fim dessa fila. Dela, jamais saí. Estou ainda lá, o último da fila, o menor de todos. 

    Depois me recordo, passados uns 3 anos que o Sr., numa sala de madeira, veio apresentar o Curso de Neurologia para alunos do quarto ano. Antes de adentrar à sala, eu portava à mão um livro recém adquirido e o Sr. perguntou que livro era. Ao mostrá-lo o Sr disse: Essa é a Bíblia. Era (tenho até hoje) o manualzinho do Adams. A versão resumida! O Sr. sabe como aluno é preguiçoso e tem seus macetes.  Na residência, o extenso tratado completo foi meu companheiro das leituras noturnas. 

   Dessa época guardo também a Apostila do curso! A gente tinha medo. O conteúdo era denso. Difícil. Confesso que muito a gente não entendia. Ou era complexidade do tema ou o estilo e didática dos professores. E as provas. Ah, as provas de Neuro. Famosas! Atualmente chamamos o combo de Neurofobia, um fenômeno amplamente estudado na educação médica neurológica.

 
   Não me senti atraído pela disciplina. Nem um pouco. No internato, eu manifestava meus pendores pela Cardiologia. Veja só! Inclusive, prestei a residência médica em Clínica Médica, pré-requisito à Cardiologia. Acompanhava os docentes da Cardiologia e me via dentro dela. 


    Pensando aqui, como aprendiz de memorialista e escritor inapto e inepto: sempre se acreditou que a sede das emoções é o coração. Quando se fala em amor: é o coração que se representa. Quando se diz  eu te amo, é um coração que se desenha. Seria este um motivo a mais que meu inconsciente me apontava à Cardiologia?
 
    Mas Pedro, eu e você sabemos que a fonte disso é o cérebro! Não vamos espalhar para criarmos conflitos, não é? Posteriormente eu me redimi e fui me rendendo à Neurologia. Como menciona meu grande amigo, mentor e mestre Luís Sidônio: fui absorvido pela seita

    A escolha da especialidade devo a influência de dois ex-residentes: Milton Medeiros e Marcus Valério. Os jantares, as conversas e os passeios na época de residênca me influenciaram na troca do coração pelo cérebro. Aliás, conflito este que já derrubou reinos e fomentou guerras.

    Na residência de Neurologia havia as reuniões conjuntas de sexta-feira. Neurologia, neurocirurgia, neuropediatria, fisioterapia, residentes e alunos. Um comboio, uma procissão.  No dia anterior, sempre ensaiávamos com os alunos o que ser dito para que não se falasse bobagem na visita geral, na frente de todos. Sempre havia um e outro que saía do script e daí era um vexame. Os olhares dos chefes,  os comentários e o clima. Era pesado sim. Creio que teus residentes da Neurocirurgia ficavam mais tensos que nós da Neurologia. Mas a ansiedade era geral. Vou confidenciar aqui que um de teus residentes da Neurocirurgia ficava literalmente nauseado às sexta-feiras. Não era para tanto mas ficava. Outros tempos. Éramos forjados no aço. Outros tempos.
  
    No mês que acabei a residência (final de 2001) visitei a ti e a todos os docentes para exprimir minha gratidão. Contratei um artista plástico pra criar um cérebro de resina (e boa parte do minguado salário de residente foi gasto nele) para presentear todos os chefes. Não sei se o Sr. o guardou. Eu tenho o meu aqui à mesa e quando o olho lembro de todos vocês. Despedi-me de todos e fui pra São Paulo rever minha terra da garoa. 

    Já em São Paulo, ao comparar o que aprendi em Londrina com meus pares, eu ficava feliz pois me sentia preparado. Quantos não dão valor à escola mãe. Em São Paulo, senti orgulho do sangue laranja. Não sei se o Sr. ainda tem, mas eu enviei umas cartas pelo correio em 2002, contando a experiência em São Paulo e a saudade da minha casa. 

    Quem diria, Chefe, que ao retornar a esta terra vermelha algumas portas se me fechariam. Alguns que tive um contato tão bom durante a graduação e residência ou na cidade me receberam de forma diversa à que esperava. Só faltou que me dissessem: Anátema! Comecei entender um pouco a existências dos grupos, das rivalidades e da expressão mais comentada no livro de Eclesiastes: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
  
     E na medida em que algumas portas se fechavam quem abraçou a minha causa? Pedro, a Rocha. Como não te agradecer? Jamais posso deixar de citar e agradecer aquele que é meu grande amigo, mentor e maior mestre: Luís Sidônio. Ele pavimentou todo o caminho. Mas quem foi o combatente da linha de frente? A Rocha. 

    Passados alguns anos decidi retornar à casa, a Medicina UEL, como docente. O Sr. foi um dos que encampou este retorno. Tornamo-nos colegas de disciplina. No dia 28 de novembro de 2008 fui aceito como professor. Logo eu, que tão pouco tenho a ensinar.

        E na sequência veríamos o retorno de teu filho, o Kiki, que tão cedo nos deixou. Como está sendo o reencontro, Pedro?

        Durante o período que convivemos na docência presenciamos momentos tensos no setor. O Touro Espanhol esbravejava. Mas quando teu braço direito Kiki nos deixou o Sr. dobrou. Logo o Sr. se aposentou. Infelizmente, ainda não entendo a razão de não termos na casa uma cultura de premiar, honrar e agradecer aqueles que dedicaram suas vidas à causa da Gloriosa. O Sr. se aposentou. Não houve comemorações, despedidas, placas ... Nada. Ingratidão.

        No Jubileu de Ouro da Turma I da Gloriosa vários docentes antigos foram convidados e o Sr. estava lá. Fui te dar um grande abraço que ficou documentado na foto abaixo:




        Em novembro de 2025, a residência de Neurologia Clínica completou 35 anos.  Homenageamos nossos fundadores que o Sr. trouxe em 71-72. O Sr. também foi lembrado e reverenciado no evento. O Sr. formou o Serviço de Neurologia, Neuropediatria e Neurocirurgia da UEL.  Tantos residentes passaram sob tua liderança. Neste encontro da Neurologia Clínica tivemos a oportunidade de expressar gratidão aos nossos fundadores: Prof. José Ivan, Prof. Ramón e Prof. Sidônio. Residentes de várias gerações e colegas compareceram para render um preito de gratidão. Que pena, Pedro. O Sr. e tantos outros se aposentaram em nossa casa e saíram sem as devidas homenagens. Tantos formados pelas tuas mãos e no fim, nem um aperto de mão. 

        Mas teus amigos jamais esqueceram do Sr. 

    Quando o Sr. estava para completar 80 anos comentei com meu mestre Sidônio e outros colegas da data e saímos para jantar em comemoração. O Sr., o Pedroca, Efigênio, Sidônio, Adriano, Adelmo, Marcus e eu. Procurei nos arquivos da UEL tua Tese de Doutorado. O primeiro Doutorado da UEL. Levei uma cópia para que o Sr. a assinasse pra mim. Está guardada em meus arquivos. 

Pedro - 80 anos



        Combinamos de repetir os encontros anualmente e o fizemos. No último, o Sr. estava diferente. Havia sido hospitalizado previamente. Aquele brilho, aquele espanhol falador, contador de história e portador de uma risada confortante não era mais o mesmo. No teu último aniversario todos percebemos que algo estava errado. Não havia mais o brilho, a vivacidade, a prestreza, memória... Algo estava errado.  E o último ano foi ainda mais crítico denotando que o sol estava aos poucos se pondo.

O último encontro


        E assim, meu Pedro, tua hora chegou. Fomos lá te dar o último adeus e carregar teu féretro ao destino final. Não sou digno de carregar teu ataúde, mas o fiz.
        
          Sempre será lembrado, Chefe. Sempre
        
          Abraços no Kiki!


        Que jamais nos esqueçamos da Casa a que tudo devemos e àqueles que dedicaram suas vidas à causa da Gloriosa.

sábado, 24 de maio de 2025

LAURO BRANDINA - Dez anos sem o mestre

 *Dez anos sem o Professor Lauro Brandrina*




Passaram-se dez anos desde que se calou a voz de nosso professor pioneiro da MED UEL - A Gloriosa

Prof Brandina, que em seus iniciais planos viria à Londrina para ficar um curto tempo e retornaria à Terra da Garoa, permitiu que o pó vermelho de dessas terras se misturrasse à seu sangue e nunca mais abandonou a Pequena Londres. 

Esteve presente no Primeiro Transplante de Coração do Brasil e foi um dos responsáveis pelo Primeiro Transplante de Rim no Paraná, no Hospital de nossa UEL, em 1973.

Líder de uma geração de cirurgiões e urologistas e professor inesquecível de nossa casa, elevou o nome da Gloriosa a todo território nacional. 

Dos grandes e inúmeros discípulos formados, em especial cito um: este que herda os genes paternos e abraçou a mesma causa do ensino: seu brilhante filho e nosso colega Ricardo Brandina.

Dez anos sem o mestre!

Que os mais novos aprendam e saibam seus feitos e que jamais nos daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa.

De um ex-aluno, o menor de todos. 


https://www.youtube.com/watch?v=OoB_jjGBvWI Assistam!

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Pedro, a Rocha. 80 anos!

Pedro, tu és a rocha.



               Foi desta forma que o Divino Mestre chamou aquele que seria seu maior líder: Tu és Pedro, tu és a rocha. Há 2000 anos aquele pescador ouviu o chamado. Em poucos anos suas ideias, seu trabalho tenaz e persistência incendiariam a humanidade. Aquele era Pedro, o pescador, o Bispo de Roma pela tradição católica. Era um homem bravo. O Apóstolo S. Lucas menciona que certa vez Pedro desembainhou a espada e decepou e orelha de Malco, servo do sumo sacerdote, quando soube que uma tocaia havia sido montada para prender o Seu Senhor. E ainda assim foi o escolhido para ser a pedra, a rocha que estabeleceria a igreja cristã sobre a Terra. Penso cá comigo, se aquele Pedro não era espanhol, como o nosso o é.

Pedro – aquele – faleceu jovem em torno do ano 60 da era cristã, a mando de Nero. Mas como bom pescador soube lançar a rede para que a renda viesse em abundância. Sua semeadura ainda hoje se ceifa. Produziu a cento por um, no dizer do evangelista.

               O nosso Pedro hoje completa 80 anos. Pedro, tu és a rocha! Nosso Pedro também ouviu um chamado. Em fins dos anos 60 e início dos 70, sobre seus ombros seria lançado um desafio: montar e liderar um grupo na Universidade. Neste mesmo serviço, que hoje é nossa casa, a nossa rocha seria o primeiro Professor Doutor, ao defender sua tese em maio de 1970.  Anos depois, sob suas redes o pescador montaria a residência de neurocirurgia, seria chefe de um grande serviço, e se tornaria meu primeiro e inesquecível chefe. Para liderar um grande grupo só mesmo aquele que tem no nome a marca da pedra. Pedro, a rocha.

               Pedro, o bispo de Roma, teria atritos em sua jornada. Paulo, o apóstolo dos gentios, o encontraria e discutiriam face a face. Ah, Paulo. Certamente ele não ouvira sobre o ocorrido com a orelha de Malco.  Se acaso soubesse, pôs a orelha em risco. Homens fortes e de opiniões rijas. De pedra, como nosso Pedro, a rocha.

Nosso Pedro foi titular da cadeira até se aposentar, aos 70 anos. Alguns anos antes fui aceito como parte do grupo, o mais jovem membro da seita (assim define a neurologia meu mestre Sidônio). Passados 10 anos continuo por lá. Não sou o mais jovem mas prossigo ainda sendo o menor de todos, sentindo falta de Pedro, a rocha.

Pedro, o nosso espanhol, não usava o anel do pescador nem o cetro como o Pedro de Roma. Nosso Pedro exerceu cargo de liderança. Ora com toques de seda, ora com punhos de ferro, ou melhor, de rocha. Não deve ser fácil liderar um grupo tão heterogêneo, em especial onde a vaidade tem cadeira cativa. Às vezes o remédio deve ser forte, e nem todos estão dispostos a provar o sabor do amargo. Às vezes, para derrubar muros, a pedrada tem que causar estilhaços. Entendo aquele que tem por rocha seu nome.

Nosso Pedro sofreria um grande e irreparável ataque. O filho amado e futuro sucessor decidiu aprender voar. E nos ares, de forma tão precoce, encerraria sua missão e retornaria ao Criador. Somente os céus para receber o sorriso tão largo e alma tão generosa. Que perda. A rocha foi ferida e não seria mais a mesma.

Escrevo estas linhas, como seu ex-aluno, ex-colega de serviço e amigo, expressando minha sempre gratidão. Uma de minhas missões é recordar e jamais esquecer daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da gloriosa, a nossa Medicina-UEL. Cultuar seus nomes, suas memórias e seus feitos e fazer com que as novas gerações saibam honrar aqueles que pavimentaram nosso caminho, com suor, sacrifício pessoal e até com a própria vida.

Parabéns pelos 80 anos.

Obrigado meu sempre chefe, a Rocha.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

 EDUARDO DE ALMEIDA REGO FILHO, 15 anos sem o mestre.

    Eu era quintoanista do curso de medicina, na nossa Gloriosa Medicina UEL, quando iniciei a parte prática do curso  - que chamamos Internato Médico. O primeiro estágio que teria contato seria a Pediatria. 

    Era o chefe da enfermaria o Prof. Dr. Eduardo Rego, um dos responsáveis pela estruturação da Pediatria no curso de Medicina da então Faculdade de Medicina do Norte do Paraná, a nossa Gloriosa, em início dos anos 70.

    Minhas impressões era, de que era um misto de homem severo e bonachão. Pessoalmente, aprendi a gostar da disciplina ao conviver com ele na enfermaria. Disciplinado, exigente e justo.  Numa época em que não havia tablets, smartphones e os celulares estavam sendo lançados, ele possuia um caderninho de bolso que era um verdadeiro compêndio de pediatria. Conforme passávamos visita na enfermaria, quando havia dúvidas de doses, esquemas terapêuticos e detalhes que fugiam à memória, ele sacava a enciclopédia do bolso e nos dirimia. Onde estará este caderninho? Gostaria de tê-lo em meus guardados de história do curso. 

    Ainda aluno, tive a oportunidade de ter várias conversas na cantina com o mestre. Parece que tínhamos horário marcado. O difícil era abordá-lo, quebrar o gelo. No entanto, após algumas frases (sempre tinha que ser estimulado) o mestre se abria em sorrisos, causos e conselhos. Eu era bom em puxar a conversa, e ele cedia. Era um aprendizado sobre a vida. Apaixonei-me pela pediatria. Eu amava tanto cuidar dos pequenos que percebi não ter estrutura emocional pra viver isso para sempre, vê-las internadas, privadas de uma vida normal fora do ambiente hospitalar, por mais que cuidássemos para que o local fosse alegre e atrativo. O Eterno me reservava outros planos.  

    Como essa vida é curiosa: meu sogro  - aluno do velho mestre - enveredou-se pela pediatria . Esteve o velho mestre no casamento de meus sogros. Anos depois, minha esposa seguiria o caminho do pai e do antigo professor. Cursou a residência na mesma escola. Anos depois seria integrada à docência no mesmo departamento e universidade. É o cumprimento da máxima das escrituras: Pelos frutos os conhecereis. 

    O mestre era formado pela Universidade Estadual  da Guanabara. Adentrou à nossa casa em 1971 e posteriormente se tornaria Professor Titular de Pediatria e Cirurgia Pediátrica. .

    Faleceu aos 69 anos, 15 anos atrás.

Formou uma pleiade de discípulos que honra a tradição de nossa casa, de nossa cidade e o seu próprio nome, que jamais deve ser esquecido.

Saudades do velho mestre.

Que os mais novos possam  conhecer sua memória e seus atos e que jamais nos esqueçamos daqueles que dedicaram suas vidas à causa da Gloriosa. 


sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Ides Sakassegawa

 Ides


Minha amada, incomparável e inesquecível Profa. Ides Sakassegawa.


Quantas saudades! Hoje estamos 3 anos sem você.

Ah Ides! Como você faz falta! Durante nossa passagem pela escola médica, sempre houve aqueles professores que colocamos num pedestal de dignidade e decência. Aqueles que representam o que almejamos na vida profissional e, se digno fôssemos, gostaríamos de alçar os mesmos voos na vida acadêmica. Como te admiramos, sempre e intensamente. Fiel amiga e conselheira. Professora de medicina e exímia cirurgiã. Próxima dos alunos, interessada em ensinar as novas gerações de médicos e futuros cirurgiões. Amava a Medicina-UEL, a Gloriosa. Você foi uma das filhas mais nobres e amadas de nossa casa. Simples, sincera, firme quando necessário e sem as vaidades que permeiam nosso meio.

Ah, Ides. Por que você foi embora tão cedo? Você, Waldir e tantos outros... Que vazio difícil de preencher.

Às vezes, Ides, eu acho que o Eterno olhou para este vale de lágrimas, viu o quão estranho anda este mundo e disse: Basta Ides! Volta pra casa que este mundo não é digno de você! E assim o fez.

Privados estamos de uma das colunas que sustentava nossa casa. E ela vai aos poucos ruindo. Entretanto, vez ou outra ouve-se o chamado. O chamado a retornar à casa que nos deu tanto e que por ela temos feito tão pouco. E assim tentamos manter nossa escola aos moldes do que foi em seus áureos tempos. Saudades das visitas do Prof. Lucio Marchesi, quando exigia desde postura, apresentação dentro dos ditames da técnica, vestimenta e sobretudo: respeito. Respeito para com os mestres e principalmente aos pacientes. Ele nos alertava que a sociedade não nos via como estudantes, e sim médicos. E devíamos nos portar como tal. Hoje se vai às aulas dentro do complexo hospitalar de chinelo e bermuda. Sinal dos tempos. Mas esse meu comentário é apenas um devaneio de alguém que tem a alma antiga, aprendeu a amar e não se esquecer de seus mestres e de sua antiga casa.

Dias atrás fui a um museu de medicina que não o visitava há uns 15 anos ou mais. Nas férias, nos idos dos anos 90, passei certamente centenas de horas em seus corredores vendo quadros, fotos e livros relacionados à nossa história e nossa arte. Desta vez notei que o espaço do museu foi reduzido sobremaneira. Não mais vi as fotos de turmas que ornavam os corredores e senti que parte de mim se foi junto nem os quadros dos grandes mestres. Motivos técnicos os houve, mas perdeu-se a beleza e o encanto. Então recordei que em nossa casa, a amada Medicina UEL, em nosso hospital havia quadros de formandos. Numa das paredes, estava lá o nosso quadro, o da XLIV Turma de Medicina da UEL. E teu nome estava lá, nossa eterna patronesse, e homenageada de tantas outras turmas. Quis o Eterno que anos depois juntos fôssemos homenageados por uma mesma turma da Gloriosa.

Olhei agora em meu convite de formatura, de 1997 e vejo uma feliz assinatura tua e dos homenageados. Parte de meu tesouro pessoal e de minhas memórias..



Em nossa casa, Ides, as placas não estão mais lá. Foram retiradas e não mais colocadas. Ou seja, somos uma casa que pouco valor se dá à memória e culto ao passado. Alguns têm se levantando, como professores do quilate de Marco Fornazieri, Leandro Diehl e outros, que ouviram o chamado de preservar nossas memórias e tradições. Eu também tento, mas com menos talento e dedicação.

Você não tem um quadro na escola, não me recordo de uma sala com teu nome, uma árvore plantada em tua memória ou algum evento que se possa recordar daqueles que dedicaram parte de suas vidas à Gloriosa. Apesar de nossas inúmeras falhas, você vive na memória daqueles alunos que te amaram como eu.

Tento aqui, Ides, com estas pobres linhas te eternizar, nestes parcos escritos de quem tenta ser um aprendiz de memorialista e um cronista pior ainda.

Enfim, Ides, hoje estou mais triste porque você aqui não está.

Logo mais irei à nossa casa, o nosso hospital. Passarei no Plátano que plantei, recordarei você e farei uma prece pedindo a Deus que um dia eu possa ser um pouquinho digno de você.

Com saudade infinda e amor filial,

L.  

domingo, 27 de dezembro de 2020

 Luiz Carlos Jeolás - 30 anos sem o mestre.



No dia 27 de dezembro de 1990  o mestre se despedia do plano terreno, findara sua missão. 

Não tive oportunidade de conhecê-lo. Ele faleceu em 1990 e eu só receberia o batismo com sangue laranja em 1991, ou melhor, me tornaria aluno da Medicina UEL - A Gloriosa.

O pouco que sei  eu ouvi de meus antigos mestres e alguns de seus ex-alunos, além da biografia  escrita pelo José Pedriali, imperdível leitura aos interessados na história da Gloriosa. O título da obra é O Encantador Jeolás .

Era pneumologista e cirurgião torácico. 

Em meados dos anos 70 iniciou-se na arte da pintura. Alguns de meus professores (amigos de Jeolás) ostentam orgulhosamente  suas telas em suas casas e/ou ambiente de trabalho. 

Impossível não me recordar de São Lucas, o padroeiro da Medicina.  Lucas era médico e a tradição o coloca como pintor.

Eurico Branco Ribeiro, médico e escritor,  publicou 4 volumes sobre a vida de São Lucas. A obra (atualmente esgotada) se chama Médico, Pintor e Santo

Ao recordar a obra e o mestre Jeolás estabeleço essa analogia.  Jeolás era médico. 

Médico: pessoalmente gosto de separar (não sei é invenção minha, mas tenho este conceito estabelecido na mente) aqueles que são médicos daqueles que são técnicos em medicina.  O técnico em medicina é aquele que aprendeu sinais, sintomas, diagnósticos e tratamentos. Fazem bem seu trabalho? Sim. Exercem bem o seu papel.   Todavia, na minha limitada forma de entender as coisas, ser médico é algo mais. Vai além.  Envolve empatia, paixão, entender o sofrimento humano e amenizá-lo.  Aquela tentativa de enxergar alma. Para ser médico há que se ouvir e atender um chamado. Ter algo a mais pra ser oferecido. Algo que não se encontra nos livros técnicos e que não se aprende nos bancos escolares.  Jeolás  era possuidor de tais dons e predicados. 

Pintor: Jeolás era pintor.  Li que suas obras representavam fases de sua vida. Acho belo o explanar sentimentos e vivências em matizes. Sou daltônico. Das cores e da vida. Faltam-me a sensibilidade e conhecimento para apreciar  as artes plásticas. Possuo livros, os leio, procuro obras na internet (em especial Bouguereau) mas confesso ser incapaz de entender a profundidade das telas e tintas.  Das artes, tento  de forma amadora, crua e sem talento escrever algumas linhas que envio a alguns colegas, roubando seus valorosos minutos à atenção de tão pobres linhas. Perdoem-me.

Jeolás era santo? Se atentarmos à etimologia a palavra santo significa separado, consagrado. Sim, era santo. Foi escolhido e separado para causas maiores: a do ensino e a de amenizar a dor e o sofrimento humano.

Gostaria de tê-lo conhecido.  Compartilharia teu  tabaco,  tomaríamos algumas e falaríamos sobre a vida, teu pendor político, as artes e em especial aquilo que nos une: a Gloriosa.  Quem sabe um dia. 

Dedico estas pobres linhas à tua memória e aos 30 anos de tua ausência. 

Que jamais nos esqueçamos daqueles que dedicaram parte de suas vidas  à Gloriosa.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O Plátano Pé Vermelho

 O Plátano Pé Vermelho

Plátano de Hipócrates, Ilha de Cós - Grécia


         Hipócrates – o Pai da medicina moderna - viveu na Ilha de Cós (Grécia) onde ensinou medicina a seus discípulos à sombra de um plátano cerca de 480 anos antes de Cristo. Uma das lendas sobre a árvore é que ao longo dos séculos mudas eram plantadas no mesmo local na medida em que a sucessora envelhecia e morria. Assim a memória de Hipócrates seria eternizada, como o é ainda hoje. Aos que visitarem a Ilha de Cós há uma praça com um plátano enorme. Alguns dizem que a árvore atual passa dos 900 anos. E ali é cultuada a memória daquele que lançou bases para a medicina moderna.  

Dr. Petrônio S. Reiff

    Nos anos 90 o Dr. Petrônio Stamato Reiff (1927-2015), médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) empreendeu uma aventura até a Grécia com o intuito de conhecer o local sagrado. E não só o conheceu como almejou trazer uma muda do plátano da Ilha de Cós. Há vários relatos do Dr. Petrônio em revistas e mídias contando a saga. Tendo-o feito, plantou em Bebedouro uma muda que cresce ainda hoje e doou outra à sua escola mãe. Dr. Petrônio era médico de outra geração. Época em que a medicina era uma renúncia, quando havia mais deveres que direitos, não havia a proliferação de escolas médicas e a mercantilização do ensino e do exercício da medicina. Outros tempos.


    Este inapto aprendiz de escritor nos anos 90 entrou em contato com a prefeitura de Cós e inicialmente obteve uma positiva resposta sobre a aquisição de uma muda para plantio em Londrina. No entanto, ao apresentar a ideia em sua escola, o Curso de Medicina da UEL (Universidade Estadual de Londrina), não percebeu o mesmo entusiasmo que teve ao desenhar o projeto do plantio e a ideia não progrediu. É compreensível: havia (e ainda há) tantas outras questões de maior prioridade. A história e a conservação da memória são de menor importância.

Prof. Carlos S. Lacaz

    A muda que Dr. Petrônio ofereceu à sua escola foi plantada em 1997, numa cerimônia conduzida pelo então diretor da faculdade, e com a participação e fala do maior historiador de nossa arte, o Prof. Carlos da Silva Lacaz (1915-2002). Este, pessoalmente me mostraria alguns anos depois a árvore e me falaria de seu significado e simbologia. Alguns anos depois estive em seu velório no Salão Nobre da Congregação da FMUSP.  Suas cinzas foram depositadas junto ao plátano plantado em sua escola.


    Passados alguns anos me reacendeu a ideia do plantio da árvore. Consegui contato com os familiares do Dr. Petrônio. A família aquiesceu o pedido e providenciou doação de muda. Dr. André (filho do Dr. Petrônio), os engenheiros Eduardo Reiff (sobrinho) e Eduardo Firmino organizaram a acomodação, o transporte e a receita. Sim, a receita. Pois para acomodar a muda ao nosso clima há necessidade de rega constante e adição de vitaminas e sais minerais, algo que eu seguiria à risca!


  


 Em dezembro de 2015, exatos 5 anos atrás, eu plantei a muda no jardim do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (CCS-UEL) na presença dos Profs. Leandro Diehl, Fabrízio Prado, Fernanda Pegoraro (minha esposa) e de alguns alunos. Um evento simples, humilde, mas de muito significado: uma muda parente da original seria plantada em território Pé Vermelho. Umas das poucas em território nacional.


    Ter em nossa escola uma muda parente da original significa dar valor à história e à tradição. Significa depositar fé e esperanças no ensino da medicina, na prática à beira do leito e na observação dos sinais e sintomas e interpretação de seus dados. É o trabalho constante e árduo para amenizar a dor e sofrimento humano. Significa preparar-se para o futuro sem esquecer das tradições e daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa.


    

Significa, no dizer de Hipócrates, conservar puras nossas vidas e nossa arte. E para tanta coisa, há tão pouco tempo, parafraseando Hipócrates (a arte é longa, a vida é breve).


    Quando veio o primeiro inverno suas folhas começaram cair e pensei: morreu minha árvore. Achei que todo o cuidado com a rega, vitaminas e sais, podas... deram em nada. Folhas ao relento e muitos galhos secos. Liguei pra Bebedouro e falei com Eduardo. Eu disse que nossa árvore estava morrendo. Eduardo riu, tranquilizou-me e respondeu que se segui os passos recomendados era só uma fase e questão de tempo. Em breve ela retornaria a seu vigor. Ele estava certíssimo. Logo era retornaria em seu esplendor.


    É uma simples metáfora de nossas vidas e em especial de nossa arte médica. Havendo bases, raízes sólidas, constante rega e cuidados ela se tornará frondosa. Quando a semente cai em boa terra ela frutifica, conforme a Parábola do Semeador nas Sagradas Escrituras. Assim é a prática médica: com sólida formação, dedicação, estudo e empenho o resultado é promissor. Haverá revezes e intempéries, mas a semente em boa terra frutifica, assim como a casa construída com bases firmes não cede à tempestade.


    Que assim o seja em nossas vidas.

    


    
    E você, minha árvore. Cresça frondosa e resista!


    Espero que demore muitos anos, pois um dia outros restos mortais serão depositados à tua sombra, em honra à casa que tanto amei.



Gostaria de dedicar estas linhas à saudosa memória da Profa. Ides Miriko Sakassegawa, aluna da Turma XIII da MEDUEL - A Gloriosa.
 

terça-feira, 23 de junho de 2020

Professor Guerra - 80 anos.

Professor Guerra - 80 anos.

Se vivo fosse, meu querido e saudoso Professor da Farmacologia João Baptista Guerra completaria hoje 80 anos.
Foi pioneiro no ensino médico em nossa cidade.
Numa fase posterior nos encontramos dentro de uma fraternidade. Tornamo-nos mais próximos, conversamos sobre muitos temas e em especial sobre a História do Curso de Medicina da UEL - A Gloriosa. Tudo isso ocorria em sua casa, com vinho à mesa.
Saudades, meu mestre!
Que os mais jovens aprendam cultivar nossa memória e que jamais esqueçamos daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa.
Com gratidão,
L.

domingo, 29 de novembro de 2015

Jean-Martin Charcot, 190 anos de seu nascimento.


 Jean-Martin Charcot, o Pai da Neurologia. 
(29.11.1825 - 16.08.1893)

Hoje se comemoram 190 anos do nascimento deste célebre médico, considerado pai e fundador da especialidade neurológica. 

Insiro abaixo uma clássica pintura bastante difundida e conhecida no mundo da neuropsiquiatria, em especial a Neurologia. 

O quadro A LIÇÃO CLÍNICA DO DR. CHARCOT mostra uma aula ministrada pelo mestre sobre a histeria, no Hospital Salpêtrière, em 1887, belissimamente criada pelo artista Pierre A. Brouillet Charroux (1857-1914). O original encontra-se no Museu de Nice (França).




A platéia atenta ao exímio clínico era composta por muitos discípulos que futuramente seriam grandes monstros sagrados da Neurologia, como Babinski, Lorrain, Pierre Marie e La Tourette. A paciente trata-se de Blanche Wittman. Naqueles idos, cria-se que a histeria era uma desordem de fundo emocional e relacionada a fluidos uterinos (do grego hystéra= útero).


Charcot foi um dos grandes responsáveis entre a separação da neurologia e Psiquiatria. A partir de seus trabalhos é conhecida a formação da escola Neurológica Européia. Charcot é considerado o PAI DA NEUROLOGIA moderna, assim como um dos maiores neurologistas e clínico de todos os tempos. 

Há vários sinais e doenças que levam seu nome.

Charcot foi médico e amigo pessoal de Dom Pedro II, sendo o responsável por assinar a certidão de óbito do deposto imperador. 

SALPÊTRIÉRE inicialmente fora projetado para ser uma fábrica de pólvora (salpêtre significa salitre). Posteriormente foi convertido em um depósito de mendigos, pobres e marginais. Posteriormente serviu de prisão às prostitutas e era um local para afastar da sociedade doentes mentais, criminosos e epilépticos.

Após a Revolução Francesa passou a ser asilo e hospital psiquiátrico para mulheres. 

Atualmente é um grande centro universitário e um dos mais afamados serviços de neurologia de Europa.

Que os mais novos saibam reverenciar a memória daqueles que se dedicaram á causa da medicina.

Adaptado por LBM,

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Prof. Carlos da Costa Branco

Prof. CARLOS DA COSTA BRANCO.
Dr. Carlos da Costa Branco


Se vivo fosse, o professor Carlos da Costa Branco hoje completaria 90 anos.

Dr. Carlos da Costa Branco formou-se pela 31a. turma de Medicina da FMUSP, em 1948. Foi aluno de um dos grandes baluartes da anatomia nacional, Prof. Renato Locchi; e aprendeu o ofício de cirurgião com um outro sagrado nome da medicina, Prof. Benedito Montenegro.

Mudou-se para Londrina no início da década de 50 e foi ativo no ensino e na prática médica por toda a sua vida.

Em 1962 ministrou a primeira aula de anatomia para o curso de Odontologia, na então Faculdade Estadual de Odontologia de Londrina (FEOL). Seus colegas de disciplina foram Profa. Odila Santiago e Prof. Máximo Gonzales Donoso. Quando eu era aluno do curso médico Dra. Odila estava prestes a se aposentar. Prof. Máximo foi meu professor da disciplina de Cirurgia Plástica nos idos de 90.

As aulas para o curso de Odontologia eram ministradas nos porões da Catedral de Londrina e posteriormente no Grupo Escolar Hugo Simas.

Em 1962 Dr. Carlos instituiu a "Missa ao Cadáver". Ato este em respeito àqueles que depois da morte, ainda auxiliariam a vida. Recordo que em 1991, quando iniciava meus estudos no curso de medicina, assisti a "Missa ao Cadáver" e lembro da bela homenagem lida por minha colega de turma, a Dra. Leda Calil.

Seguramente este costume foi adaptado da experiência que Prof. Carlos teve com seu austero professor de anatomia da FMUSP, o Prof. Renato Locchi. 


Renato Locchi
1896-1978

Este, tinha por hábito (no primeiro dia de aula de anatomia do curso médico) mostrar um cadáver aos calouros e explanar sobre o respeito para com o corpo humano e para o que ele representa. Aquele cadáver indigente que talvez em vida não obteve dignidade humana; agora, depois da morte, seria ofertado na manutenção da vida. Assim: toda a aura de respeito e de gratidão. Locchi também levava os alunos na sala de seu grande mestre: Dr. Alfonso Bovero. 





Alfonso Bovero
1871-1937

Prof. Bovero faleceu na Itália quando gozava de sua férias, em 1937. Ano a ano cada turma de alunos era convidada a conhecer a sala de seu mestre, que era mantida da forma como ele deixou. A escrivaninha, o avental talar, o velho tinteiro, a goma para colar correspondência e sua famosa varinha que usava para lecionar e apontar estruturas. Tradição e respeito.



Em meados da década de 60 é fundada em Londrina a FESULON (Fundação de Ensino Superior de Londrina). Esta fundação seria mantenedora do curso de Medicina em nossa cidade, em 1967. Assim se vê fundada a Faculdade de Medicina do Norte da Paraná, hoje nosso Curso de Medicina do Centro de Ciência da Saúde da Universidade Estadual de Londrina. Prof. Carlos da Costa Branco foi professor pioneiro de anatomia para as turmas de Medicina. 

Membro de várias associações de especialidades médicas, além de excelente didata e anatomista. Foi fundador da UNIMED em Londrina, professor habilidoso e Professor Titular de Anatomia do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (CCB - UEL).

Aos 51 anos, em 1976, sofreu acidente automobilístico e a comunidade médica perdia uma de suas mais rijas colunas.



Em 1997, o Museu Didático de Anatomia recebeu seu nome.

Seu filho, Dr. Carlos Augusto da Costa Branco optou pela carreira do pai e foi professor de várias turmas de Medicina, tenho sido meu professor nos idos de 1991-1992.

Que os mais novos saibam lembrar a memória destes que suas vidas foram dedicadas à causa do ensino e da arte hipocrática.