Veremos em que dá...

Blog pessoal de Lucio Baena de Melo.

Li hoje que milhares de blogs são criados diariamente e não duram mais que 6 meses.

EIS MAIS UM FORTE CANDIDATO!

Tentarei escrever aqui alguns pensamentos, comentários sobre o dia a dia que se vive embaixo do sol...

Este foi o primeiro post e o deixarei aqui pois explica o título do blog: Um Peregrino.
Por que "Um Peregrino?"

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

27 de julho - Dia do Pediatra

Hoje é dia do Pediatria.



A pediatria é uma das áreas mais belas do conhecimento médico! Cuida de nossas maiores joias: nossos filhos, nossas crianças.
Com estas linhas homenageio alguns brilhantes pediatras: 
  • Meu saudoso e inesquecível Prof. Eduardo de Almeida Rego Filho. Professor brilhante e dedicado, "das antigas", "dos tempos que a escola de medicina formava homens, e não médicos" - parafraseando o também saudoso prof. Carlos da Silva Lacaz. Prof. Eduardo foi líder de uma geração de pediatras paranaenses;
  • O saudoso Dr. Afonso Nacle Haikal. Primeiro pediatria de Londrina. Exerceu a especialidade por mais de 50 anos. Cerca de 100.000 crianças receberam o conforto de seus braços. Falecido recentemente aos 99 anos. 
  • Meu sogro Dr. Joaquim Manoel Marques de Godoi. Pediatra formado pela Primeira Turma de Medicina da UEL, a Gloriosa.

     E não posso deixar de homenagear a pediatra mais bela de todas: linda, honrada, mãe e esposa amada, professora e profissional exemplar. Tem a Pediatria no sangue. Ama a profissão e dedica sua vida ao cuidado dos prematuros e à formação das novas gerações de pediatras. 

     Quem te conhece, Fernanda, meu amor, sabe que isso é muito pouco comparado ao que és. 

                                 SONETO

Porque és mãe e és também docente
E médica de uma área tão sublime.
D'área nobre que o puro amor exprime
Tu és o maior exemplo e combatente.

Tu lutas as batalhas do doente!
Com a cura todo mal se redime
E o belo riso da criança exprime
O afeto ganho que ora a faz contente.

Na Gloriosa escolheste esta carreira
Tão doce, rica, bela e verdadeira:
O amor pelas crianças te nutria!

E assim segues a vida, oh mais que amada,
Mostrando ao percorrer dura jornada:
A honra de viver a Pediatria. 




quarta-feira, 18 de maio de 2016

Kuplic

Kuplic

Para Alexandre, meu amado filho.

         
    VOCÊ era um bebê lindo. Lindo, maravilhoso e fofinho. Não que nestes 11 anos bebê não o seja mais. Sempre será meu filhote querido e amado do pai, meu amigão e companheiro de tantas aventuras, filmes, seriados e leituras. Eu sei que você não gosta que eu diga, mas não resisto: sempre será o meu bebezão!

Uma vez, retornando numa noite da casa de seus avôs, você estava no “bebê conforto” no banco de trás do carro. Eu me dividia entre estar atento ao volante e vigiar você pelo retrovisor. De repente eu ouvi uma palavra estranha e diferente: “Kuplic, kuplic.”

Mantive meu olhar direcionado a você e continuava: “Kuplic, kuplic”. Eu disse: “O que você está dizendo, meu filho? ”

Você, ao ouvir minha voz deu um belo e largo sorriso e não parava de dizer aquele mágico vocábulo que nos entretinha, como se cada pronúncia fosse uma nova descoberta: “Kuplic, kuplic.” Antes você estava naquela fase que os pediatras chamam de “lalação”. Agora não, você emitia uma palavra mais articulada.

Coração de pai é bobo mesmo. Eu me encantava e me deleitava com esta tua nova descoberta. Você permaneceu alguns minutos dizendo “Kuplic, kuplic”. E eu ria junto.

Você estava curioso com o novo som que eclodia de teus lábios? Esse era o motivo de você repetir sem parar essas palavras? Era a visão que tinha do passeio através da janela do carro e queria me contar algo que viu?  Seriam as casas e carros que pareciam novos ao teu mundo? Ou você repetia estes vocábulos sem parar já que via a cara apaixonada de teu pai ao apreciar esta tua adorável manifestação...

Você sabe, meu filho, quantas vezes eu te disse que essa foi a primeira e misteriosa palavra que você emitiu. E sabe as inúmeras vezes que te olhei e disse: Kuplic, kuplic”.

Ainda hoje, sempre quando pronunciamos, sem saber a tradução desse dialeto do amor, olhamo-nos e caímos em gargalhadas.

Que palavra misteriosa e poderosa é essa, meu filho? O apóstolo Paulo narra em sua carta à igreja de Corinto: “ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se eu não tiver amor, nada seria...” Terá este teu vocábulo alguma analogia com a língua dos anjos, já que você sempre foi meu pequeno anjo que trouxe um pedacinho do céu pra nossa casa?

Logo mais de seus lábios eu ouviria outra palavra: “Papai”. Esta foi uma das maiores alegrias que Deus me permitiu nesta vida. Ser teu pai. Ver você crescer e ter seus gostos e vontades, tua individualidade, tuas leituras e já as incipientes dorezinhas no peito que surgem quando o coração bate mais forte ante as princesas de teu reino. Pensa que não percebo?

Tenho saudades de muitas de suas horas. Àquelas que remontam dores, não. Mas o resto, sim. Desde aquela madrugada que te peguei no colo, no Centro Obstétrico - quando guiada pelo Altíssimo a Dra. Marlene facilitou tua trajetória a este mundo e o “tio” Vinícius ministrou os primeiros cuidados – até hoje cedo quando te tirei da cama pra ir à escola. Tenho saudades de cada momento, meu filho. De tuas primeiras palavras, de quando pedia pra mim o “pilito” em vez do pirulito, do “cuco de luva” (que era teu sagrado suquinho que a vovó preparava pra você) e do terrível medo que tinha do grande e cruel “caminoto” (que era um pequenino gafanhoto que te visitava da janela).

É uma dádiva de Deus estar com você todos os dias, meu filho. Viveria novamente cada minuto que vivi por ti.

Que teu trilhar seja de alegrias, vitórias e esperanças. Haverá momentos difíceis, meu filho. Mas creio em Deus que permitirá e fará crescer em ti caráter altivo e combativo. Aprenda com as dores e derrotas. Aprenda, sobretudo, aprenda!

Creia no Onipotente Deus, meu filho, e empregue tuas habilidades à prática do bem e à glória de Seu Santo Nome.

Foge do elogio e agrado fáceis. Cultive amizades e esparge o bem, meu filho.

Brinque bastante. Estude mais ainda.

Ame e seja amado. E queira Deus que encontre uma mulher com que possa compartilhar os anos de tua juventude e maturidade, e ser feliz. Ter alguém ao lado é uma dádiva do Eterno. Esta graça recebo diariamente ao conviver com tua mãe e com vocês dois, Laura e Alexandre.

Como narra o Sagrado Livro, “que as palavras de teus lábios e o meditar de teu coração sejam agradáveis na Tua presença, Senhor Rocha minha e Redentor meu”.

E sempre, meu filho, quando você tiver alguma dificuldade, inquietação, algum medo ou quiser compartilhar alguma conquista neste vale de lágrimas, olhe pra mim e diga ou balbucie: “Kuplic, kuplic”. Eu saberei que este é nosso código secreto, a senha mágica de um dialeto baseado no mais puro amor e que nos manterá unidos para sempre.


Kuplic, kuplic!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Molecos Viajantes

          Pessoal, aqui vai a minha curta e gratificante experiência com o "Molecos Viajantes". Antes disso permitam-me umas linhas, como sempre.

            Tenho uma ou duas caixas que são meu relicário: alguns papéis, cartas de mais de 30 anos, cartões e coisas do tipo. Acredito que com a "geração internet" muito disso esteja perdido no tempo. A tecnologia nos catapultou a uma época e praticidade que talvez nunca imaginaríamos chegar. Mas, hoje em dia,  creio que poucos sabem e entendem o que é aquela ansiedade à espera de uma carta que vinha pelo correio... Estou ficando velho!

           Quanto tempo não escrevo ou recebo uma carta? Eu tenho alguns papéis que me são caros ao coração. O currículo feito à mão pelo Dr. Flamínio Fávero (1895-1982), doado pela família após eu ter colaborado em seu levantamento biográfico. Um homem digno como poucos. A edição autografada de Rubem Braga, o meu cronista predileto. A Bíblia pessoal anotada à mão do Dr. Criswell na década de 40 e muitos outros papéis. Canetas e papéis de meus falecidos avós... Minhas preciosidades.

              Assim, olhando um dia esta papelada toda vi que não possuo algo escrito meu pra dar a meus pequenos. Não tenho cartas nem cartões. Fotos e filmes há aos montes. Mas algo pessoal escrito à mão, não.

Meu garoto apareceu com um filme infantil chamado “O Diário de um Banana”. O filme é baseado em uma séria de livros homônimos. Decidi dar o primeiro volume e fizemos um trato, na medida em que ele acaba um logo recebe outro. E está indo muito bem! Pra minha alegria vive com gibis e livros pela casa (claro que como todo garoto normal não dispensa os joguinhos no computador, pois não é de ferro). E o interessante que minha garotinha nem ler ainda sabe mas já entrou “na dança”.

Meus "Molecos"
E assim entra na história a Moleco e seus produtos e projetos, como o "Molecos Viajantes". Moleco é uma empresa de cadernos de anotações feitas de material reciclado. Eu e meu garoto decidimos criar uma espécie de diário. Ele tem o dele e eu tenho o meu. Após pesquisar na internet decidi adquirir os produtos Moleco. Não me arrependi. Pelo contrário, já comprei alguns, dei de presente e os tenho usado no dia a dia para alguns registros, estudos e rabiscos. Virei fã da marca.

A empresa tem um projeto chamado "Molecos Viajantes". Os interessados se cadastram no site e alguns livretos são enviados para que cada um deixe uma mensagem, textos, desenhos, o que cada um quiser... e depois envia a outro da lista. E por aí vai.

O meu chegou e deixo nele registrado algumas linhas feitas com uma Pelikan M1005 Demonstrator abastecida com a Noodler’s Black – quem me conhece sabe que canetas e tintas são algumas de minhas paixões.

Aproveitei e pedi que meus pequenos também eternizem algo por escrito, Alê decidiu desenhar o seu pinguim (http://www.clubpenguin.com/pt/) de seus jogos favoritos. No desenho o pinguim usa o escudo do Capitão América e está com seu "puffle" de estimação. Os pais de crianças sócias do Club Penguin sabem o que isto significa.



Laura desenhou o hospital em que trabalhamos e nele chegando a família toda: eu (o careca), a mamãe descabelada, ela mesmo e o mano. Ele quis desenhar Deus no céu olhando pela gente. AMÉM!




Obrigado à Equipe Moleco por nos permitir este momento tão gratificante vivido em família.

sábado, 9 de julho de 2011

Sobre filhos...

ESTA semana um de meus pequenos completa mais um ano de vida. Passa-me rapidamente pela cabeça vários momentos: quando eu conversava com meu sócio no consultório e o fax imprimia uma folha - era o teste de gravidez positivo de minha esposa. Os preparativos, a descoberta do sexo do bebê. A escolha do nome, roupas, os meses que se passam, a decoração do quarto, o dia do parto. 
Recordo o dia do parto quando peguei no colo aquela criaturinha que precisava de conforto e carinho. Foi amor à primeira vista. Vi que estaríamos ligados para sempre. 


Eles (meus filhos) não sabem. Desde que estavam no ventre de sua mãe eu sempre pedi (e ainda peço) a Deus que eles recebam proteção do alto. Quando eles nasceram eu os abracei já na sala de parto e pedi a Deus que os conduza pelas veredas da justiça.
Gosto de ler e meditar o Salmo 139 quando narra que "Os teus olhos (Deus) viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia." Isto denota a soberania de Deus em nossas vidas e nos traz conforto, isto é, para aqueles têm em Deus a razão de esperança nestes dias...


As crianças estão crescendo e cada dia é uma alegria diferente. 


Como mudam nossas vidas e quão tamanha é nossa responsabilidade ao criá-las e torná-las luz num mundo onde o que prolifera é a escuridão. A escuridão da ignorância, do ódio, da violência, da ganância, do materialismo e da pouca espiritualidade. A escuridão da corrupção."Levar vantagem em tudo"...Esquece-se de que um dia o "peso será colocado na balança"... Há um tribunal do qual nenhum de nós escapará. Estamos preparados?



O apóstolo Paulo na carta à igreja em Éfeso escreve que os pais não devem provocar os filhos à ira e sim criá-los na doutrina e na admoestação do Senhor.

O que significa provocar a ira? Embora tenhamos autoridade sobre nossos filhos isto não significa que devemos ser autoritários e abusivos. A correção, quando necessária, deve ser feita com amor e paciência. A correção, a repreensão e o aconselhamento devem ser empregados com ternura e amor.  "O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões." (Provérbios 10:12). O amor não "encobre", não disfarça e nem evita que venham à tona os erros do viver diário. O amor cura, o amor ensina, o amor corrige e o amor transforma. A ira, não.


..."na doutrina e na admoestação do Senhor."  

O apóstolo Paulo emprega o termo "paideia" (παιδεία) para doutrina que significa toda a instrução fornecida, os valores, a moral, o discernimento... "a transformaçao pela renovação da nossa mente", outro texto paulino. Crescer num ambiente em que se cultivam o amor e a harmonia. Doutrina envolve o conhecimento e o crescimento global. Doutrina é a formação geral, o olhar por elas, o cuidado, a proteção. Já em admoestação está em uso a palavra "nouthesia" (νουθεσία) que embora semelhante ao termo anterior dá grande ênfase ao falar, à transmissão oral. Vemos assim duas interpretações disto: a primeira que envolve toda a instrução que se é transmitida através de posturas, de exemplos e de atitudes; o segundo se relaciona à oralidade, às admoestações que são dadas por palavras de conforto, de incentivo, de exortação e até de censura e reprovação quando necessárias. 


Vemos então que o apóstolo Paulo menciona que os filhos devem ser criados na doutrina e na admoestação do SENHOR.  Todos os pais que são comprometidos com seus filhos preocupam-se com a formação moral, a conduta, o ensino, honestidade, o trabalho, boas maneiras ... Não há necessidade de ser cristão para ser um bom homem. Todas as culturas e todas as crenças estão empregadas a que se haja um homem decente, honesto e melhor. Uma vez conversava com um amigo e ele disse da não necessidade de Cristianismo ou de religiões. Ele é um bom pai, um bom esposo, paga suas contas. Enfim, um homem honesto e honrado. E quantos pensam desta mesma forma? A diferença é que este edifica sua casa sobre a areia e em verdade não se tem o conhecimento da brevidade desta vida. Esquece-se que estamos sendo moldados para uma vida perene e que estes dias são uma pequena amostra. O apóstolo João escreveu que ..." o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre."


O apóstolo enfatiza que os pequenos devem ser criados na doutrina e admoestação do Senhor. Aqui há um outro chamado. O apóstolo convoca os pais a que ensinem aos filhos sobre Aquele que no princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Aquele que todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e sem Ele, nada do que foi feito se fez. Para que conheçam Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.  


Há aqueles que edificam sua casa sobre a areia e aqueles que edificam sua casa sobre a rocha. A chuva virá, transbordar-se-ão os rios e os ventos soprarão com violência. A casa que for edificada sobre a Rocha rija permanecerá.


"Que as palavras de meus lábios e o meditar de meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!" Salmo de Davi.


Saibamos conduzir os pequenos pelas veredas da justiça que conduzem ao Eterno.

"Os filhos são herança do Senhor". Salmo de Salomão.