Samuel Barnsley Pessoa
(31/05/1898 - 03/09/1976)
![]() |
| Prof. Guilherme B. Milward |
![]() |
Prof. Pessoa lecionando aos alunos da Turma I da MED UEL. Alunos: João Geraldo, Cordoni e Lacerda. |
- um conhaque providencial,
- romance policial, e
- decúbito horizontal.
![]() |
| Prof. Guilherme B. Milward |
![]() |
Prof. Pessoa lecionando aos alunos da Turma I da MED UEL. Alunos: João Geraldo, Cordoni e Lacerda. |
Professor José Ivan Cipoli Ribeiro - 85 anos!
Neste dia 17 de fevereiro nosso querido Professor José Ivan Cipoli Ribeiro completa 85 anos! Mazal Tov! Bendito seja Deus que nos permite ver nosso antigo mestre comemorar esta data com saúde e bem. É uma dádiva!
![]() |
| Prof. José Ivan início dos anos 70 |
Prof. José Ivan foi o pioneiro da Neurologia Clínica no Curso de Medicina da UEL - A Gloriosa! Foi convidado pelo saudoso Prof. Pedro Garcia Lopes em 1971 e com ele vieram os Professores Lamartine Correa de Moraes Juníor e Eliana Christina de Figueiredo de Oliveira Wanderley, formando o núcleo inicial do ensino da Neurologia -Neurocirurgia & Neuropediatria em nossa casa.
Na graduação e internato médico tive pouco contato com o Professor. A Neuro não era a especialidade que pensara em cursar. Posteriormente ao me decidir pela Neurologia, tive maior contato com o Professor quando fui seu residente, nos idos de 1999 a 2001.
![]() |
| Lucio e Prof. José Ivan - 2000. |
Tendo residido nos EUA para cursos de pós graduação sempre discutia política americana. Quando o tema era Guerra, discorria sobre a Segunda Guerra, Vietnã, Coreia... Mencionava detalhes da vida de Churchill. A cultura é vasta. Comentou que pensou ser médico na Guerra do Vietnã. Ao ver os campos do cemitério militar de Arlington e a infinidade de cruzes brancas repensou a vida e preferiu se manter na vida civil. Boa escolha, mestre!
Quando eu era residente do primeiro ano na Neurologia deparei-me com um caso de um paciente grave, instável e que me deixou em dúvida e inseguro. Era uma noite e liguei ao Professor. Após poucos minutos ele apareceu no pronto socorro, examinou o paciente comigo, discutiu o caso e conduta. É algo pequeno, mas que jamais esqueci. A curiosidade foi que no dia seguinte o mestre me ligou à noite. Queria que eu mostrasse outros casos porque a experiência na noite anterior havia aguçado a poderosa mente do mestre. Fomos lá!
Sempre menciono que meu maior mentor e mestre é e sempre será o Prof. Luís Sidônio. Ele sabe disso. E sabe que no período da residência o nome que me foi mais importante na formação foi o Prof. José Ivan. Cada um dos docentes teve sua devida importância! Todos! Quer seja pelas virtudes, quer seja pelo erros. Espelhar-se naquilo que é bom e evitar as práticas não construtivas. Do Prof. José Ivan, o que mais me marcou na residência foi a presença diária e constante nas enfermarias de emergência e a lista semanal de artigos para discussão de casos do dia a dia. O homem era incansável. E esteve sempre conosco.
Ato falho: em 2007 o Prof. se aposentou. Em seu lugar foi substituído por alguém de muito menor capacidade, conhecimento e talento: o que escreve estas linhas.
Passados alguns anos de sua aposentadoria, Prof. José Ivan mudou-se para Florianópolis onde continuou exercendo a Neurologia.
O primeiro semestre de 2025 nos deixou preocupados, o coração do querido mestre deu alguns sinais de que estava cansado. Mas como ele me prometeu não me deixar na mão na festa de 35 anos da residência o coração deu uma trégua e o mestre esteve lá pra abrilhantar as festividades.
![]() |
| Prof. José Ivan sendo recepcionado por mim na cerimônia de 35 anos. |
Ano passado (2025), a Residência Médica de Neurologia Clínica completou 35 anos! Tivemos a oportunidade de reunir os docentes fundadores da residência (Prof. José Ivan, Prof. Ramón e Prof. Sidônio) e gerações de residentes. Prof. José Ivan foi reverenciado pelos anos de dedicação à nossa casa, assim como os demais fundadores.
Meu querido Prof. José Ivan, foi uma imensa honra ter sido teu aluno na graduação e na residência. O Sr. foi muito importante em minha formação e não há como expressar o quão grato sou ao Sr.
Tive a oportunidade de agradecê-lo pessoalmente e uso estas linhas para expressar a importância que o Sr. tem para mim. Substituí-lo em nossa casa é uma missão difícil de se cumprir. Mas estou por lá! Tentando cuidar, regar e amparar a planta que o Sr. semeou em 1971, no ano que nasci! Evidentemente sem o mesmo talento.
Confesso mestre, que já pensei em deixar nossa casa. Mas quem lança mão no arado não deve olhar pra trás. Sigo em frente, às vezes tropeçando na beira da estrada e logo se levantando. Procurando, no dizer do Ap. Paulo, agir de todo o coração, nãos aos homens, mas ao Senhor Deus, pois a Ele que estou servindo.
Rogo a Deus que o abençoe sempre e que te dê saúde e paz.
Teu nome faz parte de minha história.
Parabéns pelos teus 85 anos, meu mestre!
Do menor de todos,
L.
Dr. Pedro,
Semanas atrás, ainda em janeiro, escrevi aqui neste blog algumas linhas sobre a perda de teu filho, o Kiki. Soube pelo Pedroca, (teu filho mais velho) que ele lhe leu o texto e o Sr. ficou tocado e agradecido. Como iríamos saber que 20 dias depois chegaria tua hora?
Meu Pedro, estive trazendo à memória alguns momentos e os mencionarei aqui.
Creio que a primeira vez que te vi foi entre 1991 e 1992. Eu era calouro da Gloriosa MED UEL, a escola que teu irmão fundou e que o Sr. foi nosso inconteste chefe. Recordo de estar no saguão principal do HU e um grupo de médicos descia a escadaria que vem das enfermarias. Na frente, o Sr. liderava o grupo. Avental branco impecável com nome bordado, gravata, canetas vistosas no bolso. Imponência... Pensei: esse homem é importante, deve ser o chefe. E atrás o seguia o grupo de médicos e na sequência residentes e alunos. Estes, no fim da fila. Alguns anos depois eu estaria também no fim dessa fila. Dela, jamais saí. Estou ainda lá, o último da fila, o menor de todos.
Depois me recordo, passados uns 3 anos que o Sr., numa sala de madeira, veio apresentar o Curso de Neurologia para alunos do quarto ano. Antes de adentrar à sala, eu portava à mão um livro recém adquirido e o Sr. perguntou que livro era. Ao mostrá-lo o Sr disse: Essa é a Bíblia. Era (tenho até hoje) o manualzinho do Adams. A versão resumida! O Sr. sabe como aluno é preguiçoso e tem seus macetes. Na residência, o extenso tratado completo foi meu companheiro das leituras noturnas.
*Dez anos sem o Professor Lauro Brandrina*
Passaram-se dez anos desde que se calou a voz de nosso professor pioneiro da MED UEL - A Gloriosa.
Prof Brandina, que em seus iniciais planos viria à Londrina para ficar um curto tempo e retornaria à Terra da Garoa, permitiu que o pó vermelho de dessas terras se misturrasse à seu sangue e nunca mais abandonou a Pequena Londres.
Esteve presente no Primeiro Transplante de Coração do Brasil e foi um dos responsáveis pelo Primeiro Transplante de Rim no Paraná, no Hospital de nossa UEL, em 1973.
Líder de uma geração de cirurgiões e urologistas e professor inesquecível de nossa casa, elevou o nome da Gloriosa a todo território nacional.
Dos grandes e inúmeros discípulos formados, em especial cito um: este que herda os genes paternos e abraçou a mesma causa do ensino: seu brilhante filho e nosso colega Ricardo Brandina.
Dez anos sem o mestre!
Que os mais novos aprendam e saibam seus feitos e que jamais nos daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa.
De um ex-aluno, o menor de todos.
https://www.youtube.com/watch?v=OoB_jjGBvWI Assistam!
QUAL O VALOR DE UMA PLACA?
Em início dos anos noventa era eu um jovem aprendiz na escola médica. Dava meu primeiros passos no belíssimo campus da UEL e nos corredores de nosso hospital, o HU, como membro da Gloriosa, a nossa Medicina-UEL. Já não sou mais jovem embora ainda seja um eterno aprendiz.
No saguão, na entrada de nosso hospital, sempre me deparava com as placas das turmas que por nossa casa passaram. Alguns nomes já não estavam entre nós, outros viriam a ser meus docentes, outros amigos e colegas na docência...E com o tempo muitos já se foram. Nessas paredes, em razão de pouco espaço, a algumas turmas era dada a possibilidade de deixar uma placa no saguão. E eram elas que eu passava minutos admirando, muitas e muitas vezes, ao longo das semanas, meses e anos em que ela frequentei.
Um belo dia as placas foram retiradas. Não sei explanar a razão. E ficaram anos longe das paredes de nossa casa. Minha turma - a 44 - foi agraciada com uma placa. Meu nome e o de meus pares estavam lá. Lembro quando foi descerrada e recordo a alegria de meus amigos e amigas ao terem eternizados seus nomes na parede da casa a que tudo devíamos, que tanto por nós fez e o quão pouco a ela retribuímos. Estaríamos ali para sempre. No entanto, foram retiradas e longe de nossa casa permaneceriam, por muitos anos.
Certa vez, já docente da casa, procurei saber a razão da retirada e onde estavam. Nunca soube ao certo nem uma e nem outra. Protocolei um pedido junto à Universidade para que se desse uma resposta de onde estavam as placas, pois aquilo (as placas) fazia parte da memória de uma instituição. Tempos passaram, houve até questões judiciais envolvidas e por fim foram localizadas. Alguns colegas (quando eu perguntava das placas) riam e achavam um absurdo se preocupar com algo tão banal, tão material (placas?) quando se há tanta coisa mais importante para o desenvolvimento dos trabalhos no hospital. Concordo, há questões emergenciais que demandam maior empenho. Não há dúvida. Mas eu sou uma pessoa limitada, meu prazer e deleite permeiam a área da memória, da tradição, o honrar a quem é devido honra, no dizer do apóstolo Paulo. Não tenho lá tantas virtudes. Mas o amor à causa da Gloriosa, sua história, seus nomes e seus feitos fazem parte do objeto de minha veneração.
Uma da filhas da Gloriosa, Profa. Susana (Turma 34) foi uma das que abraçou a causa do resgate de nossas placas. A ela devo o agradecimento do achado e busca. Talvez haja mais pessoas envolvidas, mas não sei os nomes e de antemão peço perdão por minha falta.
Qual o valor de uma placa? No sentido material: quase nada. A Turma I da Gloriosa - que ano passado completou seu Jubileu de Ouro - sentiu-se assaz incomodada ao visitar a antiga casa e não mais encontrar seus nomes, sua placa. Para eles era um símbolo! Uma marca. Confessou-se a mim que se a instituição nao tinha interesse em expor sua placa que se desse aos membros da Turma. eles saberiam honrá-la. Mas não é apenas uma placa de metal? Qual o valor de uma placa? A Turma 2 - que no próximo mês reunir-se-á para seu Jubileu de Ouro - possui uma placa que foi inserida em seu Jubileu de Prata. E esta também esteve fora da casa. Qual o valor de uma placa?
A placa representa o triunfo de homens e mulheres que ousaram criar uma Escola Médica de alto padrão no interior do Paraná. A placa representa o esforço de jovens recém saídos da adolescência em busca do aprendizado da mais bela e nobre das ciências. O convívio diário em ambiente hospitalar os forjaria homens e mulheres fortes para lidar com a dor e o sofrimento, no exercício hipocrático. Cada nome ali representado em cada placa resume noites acordadas abraçado aos livros, horas e horas de intermináveis plantões, estudo, cansaço, às vezes até humilhações... mas se cumpria o trato e se finalizava a tarefa, pois o que se almejava era maior que o sofrimento. Qual o valor disso? Cada nome representado numa placa significa: renúncia, dedicação, trabalho e os louros do dever cumprido. Isso é o valor de cada placa.
Recentemente, a atual Direção do Centro de Ciências da Saúde (CCS) representada pela Profa. Andrea Name aquiesceu o desejo de resgatarmos as placas e colocá-las nas paredes de nossa casa, de onde nunca deveriam ter saído. Agradeço e muito Profa Andrea, Prof. Alessandro Melanda (Colegiado de Medicina) e demais Coordenadores dos outros cursos do CCS que concordaram em ceder espaço e entenderam o valor de honrar o passado.
Hoje (domingo) estive lá vendo e organizando o cenário. As placas retornam à Casa da Gloriosa. Na medida em que eram inseridas lembrei de meus mestres que já se foram, de outros que se aposentaram, de contemporâneos, de alunos que hoje são professores das novas gerações de filhos da Gloriosa. Estão ali, eternizados no metal, servindo de exemplo aos futuros médicos e professores de nossa casa.
Qual o valor de uma placa? Representa parte gloriosa da história de nossas vidas.
Que os mais novos jamais se esqueçam daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa e que possamos honrar suas histórias e seus feitos.
Do menor filho da casa,
Lucio Baena de Melo (Turma 44).
EDUARDO DE ALMEIDA REGO FILHO, 15 anos sem o mestre.
Eu era quintoanista do curso de medicina, na nossa Gloriosa Medicina UEL, quando iniciei a parte prática do curso - que chamamos Internato Médico. O primeiro estágio que teria contato seria a Pediatria. Era o chefe da enfermaria o Prof. Dr. Eduardo Rego, um dos responsáveis pela estruturação da Pediatria no curso de Medicina da então Faculdade de Medicina do Norte do Paraná, a nossa Gloriosa, em início dos anos 70.
Minhas impressões era, de que era um misto de homem severo e bonachão. Pessoalmente, aprendi a gostar da disciplina ao conviver com ele na enfermaria. Disciplinado, exigente e justo. Numa época em que não havia tablets, smartphones e os celulares estavam sendo lançados, ele possuia um caderninho de bolso que era um verdadeiro compêndio de pediatria. Conforme passávamos visita na enfermaria, quando havia dúvidas de doses, esquemas terapêuticos e detalhes que fugiam à memória, ele sacava a enciclopédia do bolso e nos dirimia. Onde estará este caderninho? Gostaria de tê-lo em meus guardados de história do curso.
Ainda aluno, tive a oportunidade de ter várias conversas na cantina com o mestre. Parece que tínhamos horário marcado. O difícil era abordá-lo, quebrar o gelo. No entanto, após algumas frases (sempre tinha que ser estimulado) o mestre se abria em sorrisos, causos e conselhos. Eu era bom em puxar a conversa, e ele cedia. Era um aprendizado sobre a vida. Apaixonei-me pela pediatria. Eu amava tanto cuidar dos pequenos que percebi não ter estrutura emocional pra viver isso para sempre, vê-las internadas, privadas de uma vida normal fora do ambiente hospitalar, por mais que cuidássemos para que o local fosse alegre e atrativo. O Eterno me reservava outros planos.
Como essa vida é curiosa: meu sogro - aluno do velho mestre - enveredou-se pela pediatria . Esteve o velho mestre no casamento de meus sogros. Anos depois, minha esposa seguiria o caminho do pai e do antigo professor. Cursou a residência na mesma escola. Anos depois seria integrada à docência no mesmo departamento e universidade. É o cumprimento da máxima das escrituras: Pelos frutos os conhecereis.
O mestre era formado pela Universidade Estadual da Guanabara. Adentrou à nossa casa em 1971 e posteriormente se tornaria Professor Titular de Pediatria e Cirurgia Pediátrica. .
Faleceu aos 69 anos, 15 anos atrás.
Formou uma pleiade de discípulos que honra a tradição de nossa casa, de nossa cidade e o seu próprio nome, que jamais deve ser esquecido.
Saudades do velho mestre.
Que os mais novos possam conhecer sua memória e seus atos e que jamais nos esqueçamos daqueles que dedicaram suas vidas à causa da Gloriosa.
ALTAIR JACOB MOCELIN - 10 anos sem o mestre.
ALTAIR JACOB MOCELIN - 10 anos sem o mestre.
Bandana Laranja
Subsídios de sua história
|
`A |
PEDIDO dos
alunos da Atlética de nossa MEDICINA UEL – A GLORIOSA, faço alguns
apontamentos sobre a origem e significado da bandana laranja. Não é um levantamento
histórico profundo. São algumas informações que coletei aqui e acolá, que servirão
de subsídios àqueles que se aventuraram a escrever sobre os “causos” de nossa
querida Gloriosa.
Para
quem está chegando e desconhece facetas de nosso curso o que ocorre é o
seguinte: o aluno aprovado no curso de Medicina da UEL recebe uma bandana
laranja e nela é grafado um apelido. Além do apelido e do número de sua Turma, está
impresso o símbolo mor de nosso curso de Medicina da UEL: o Dr. Perobal. O
ingressante deverá usar esta peça de vestuário até dia 13 de maio, quando
ocorrerá sua “libertação”, já que é o Dia da Abolição da Escravatura. Isso tem
gerado conflitos em alguns calouros. A comparação de ser calouro com
escravidão e outras questões acabam por surgir. Realmente não se pode (e
nem se deve) comparar uma coisa à outra. No entanto, vejo pelo lado festivo e comemorativo
do evento, ou seja, a marca de se vencer a etapa do vestibular em uma escola pública, que qualidade, e em um dos cursos mais difíceis: o de Medicina . Quantos não se dedicaram anos de estudo para vencer o concorrido
vestibular e sem sentem honrados de vestir algo que simbolize ser membro da
Gloriosa? Se em minha época existisse a bandana, eu a usaria com orgulho. Devo
estar envelhecendo rápido. Soube que alguns recém-chegados à casa se recusam a
usá-la, pois indica submissão e subserviência. Sinal dos tempos. Ah! Vão arrumar coisa melhora para
se fazer! Vão!
Então
vamos lá:
Quando
fui aceito pela Gloriosa não havia o uso da bandana. Em nosso trote (naqueles
idos havia trote) recebíamos um avental, uma bata. Guardo-a aqui como símbolo de uma conquista. Não havia nada mais que identificasse os
alunos como estudantes da MEDUEL. Assim, era comum que já no início das aulas, as turmas bolassem um desenho para que se confeccionasse a camiseta de sua
Turma. Em minha Turma (XLIV, que ingressou em agosto de 1991) o desenhista da
camiseta foi meu querido colega Fernando Massaki Mashima. Cada Turma elaborava
sua camiseta e se usava como troféu da conquista.
O
símbolo do curso de Medicina da UEL por tradição sempre foi (e ainda é) o Dr.
Perobal. Sobre este tema pretendo
escrever um texto mais completo sobre nosso querido e saudoso aluno da
Gloriosa, Sérgio Russo (médico, desenhista, músico, artista-plástico, membro
da Turma V e formado pela VI). Coube a Sérgio Russo (1952-2010) a criação do
Dr. Perobal, seu alter-ego, no início dos anos 70. Curiosamente, quando Sérgio
criou o redonducho Dr. Perobal, ele era magro. Com o tempo, o criador acabou
por se assemelhar à criatura. A história de nosso curso está ligada à criação
do Dr. Perobal, e consequentemente a seu criador, Dr. Sérgio Russo. Que sua
memória seja eternizada. Em breve escreverei sobre ele.
Em
2001, quando a Turma LV iniciava seus estudos, alguns alunos decidiram para o trote de seus
calouros criar uma vestimenta, uma marca, que pudesse identificar os calouros da
Gloriosa. Conta-nos o membro da Turma LV, o neurocirurgião e Professor de nossa
casa, o Dr. Adriano Torres Antonucci, que a decisão caiu sobre a Bandana
Laranja. E nessa bandana, como mencionado acima, era grafado o apelido do
aluno, o número de sua Turma e o Dr. Perobal. Cada aluno recebia a bandana, um
apadrinhamento (alguns se tornaram posteriormente em casamento, por exemplo:
Francisco da LXII e Milena LXIII) e um apelido. Alguns apelidos eram honrosos, outros nem
tanto. Quando escrevo aluno, refiro-me a alunos e alunas; escrevo ainda com a mente do
século passado.
Pela
tradição, a bandana deveria ser usada até 13 de maio, data da Abolição da
Escravatura. Não quero questionar a data, se a escolha é válida ou não. Fato é
que se criou uma tradição, uma identidade afetiva aos nossos alunos. Tem sido
honroso aos calouros portar o símbolo desta vitória. E que não deve ser
abandonada ou esquecida. Não recebi bandana pois não havia à época. No entanto,
quando fui Patrono da Turma LXII e Nome de Turma da LXIII consegui uma bandana e
honrosamente a portei como no bolso de paletó como um lenço.
Por
que cor laranja? Não sei. Há hipóteses. Uma delas é que seja oriunda da cor do
Dr. Perobal, que era laranja. É possível e faz sentido à cronologia da
história. Outra versão, mais romantizada, é que nas Intermeds da vida um grande
nadador da Gloriosa era o Marquezine, hoje mais conhecido como Prof. Dr. Guilherme
Figueiredo Marquezine (Turma XLVII, atual Professor da Gloriosa, irmão do Henrique
da Turma LIII, ambos filhos do Francisco Jose Marquezine, da Turma II).
Guilherme Marquezine, reza o credo, era bom nadador, ganhava muitas competições
e sempre usava uma touca de natação de cor laranja. E seria um dos motivos da
Bandana ser laranja... Qual seria a história real? Talvez uma mistura das duas.
Anos
após a Turma LVIII instituiria outro apetrecho nos calouros: uma gigante bola
laranja, o Bolão. O aluno, além de portar a bandana laranja, deveria doravante
carregar um bolão gigante laranja. Os rumores versam sobre fazer pilhéria, infernizar a vida do calouro com um treco gigante. Mas, como há gente estúpida em todos
os cantos do mundo, veteranos de outros cursos determinaram que um dos
objetivos dos calouros era roubar o bolão laranja dos alunos da medicina. Certa
feita, um imbecil usou de um canivete para estourar o bolão de uma garota da
Medicina. Ninguém se feriu, mas viu-se o quão estúpido podem ser alguns
comportamentos. Após alguns encontros entre docentes e alunos decidiu-se por bem aposentar o bolão. Será que lembraram os alunos dos outros cursos deixarem de portar canivete? Apesar de tudo, a bandana segue firme.
Enfim, eis um resumo do histórico da Bandana Laranja, símbolo de uma grande e inesquecível conquista, que cada calouro deveria utilizar pois simboliza uma grande vitória em sua vida, além de adentrar ao seleto grupo de membros da Gloriosa, em honra e tradição à sua história.
Agradeço
depoimentos de Issao Udihara (Turma V) Adriano Torres Antonucci (Turma LV),
Letícia Campos Barbosa (Turma LIX), José Eduardo Colla da Silva (Turma LVIII) e
Teresa Russo (esposa de Sérgio Russo – Turma 5 e 6).
Lucio
Baena de Melo (Turma XLIV).
Ides
Minha amada, incomparável e inesquecível Profa. Ides Sakassegawa.
Ah
Ides! Como você faz falta! Durante nossa passagem pela escola médica, sempre houve
aqueles professores que colocamos num pedestal de dignidade e decência. Aqueles
que representam o que almejamos na vida profissional e, se digno fôssemos,
gostaríamos de alçar os mesmos voos na vida acadêmica. Como te admiramos,
sempre e intensamente. Fiel amiga e conselheira. Professora de medicina e exímia
cirurgiã. Próxima dos alunos, interessada em ensinar as novas gerações de
médicos e futuros cirurgiões. Amava a Medicina-UEL, a Gloriosa. Você foi uma das
filhas mais nobres e amadas de nossa casa. Simples, sincera, firme quando
necessário e sem as vaidades que permeiam nosso meio.
Ah,
Ides. Por que você foi embora tão cedo? Você, Waldir e tantos outros... Que
vazio difícil de preencher.
Às
vezes, Ides, eu acho que o Eterno olhou para este vale de lágrimas, viu o quão
estranho anda este mundo e disse: Basta Ides! Volta pra casa que este mundo não
é digno de você! E assim o fez.
Privados
estamos de uma das colunas que sustentava nossa casa. E ela vai aos poucos
ruindo. Entretanto, vez ou outra ouve-se o chamado. O chamado a retornar à casa
que nos deu tanto e que por ela temos feito tão pouco. E assim tentamos manter nossa
escola aos moldes do que foi em seus áureos tempos. Saudades das visitas do Prof.
Lucio Marchesi, quando exigia desde postura, apresentação dentro dos ditames da
técnica, vestimenta e sobretudo: respeito. Respeito para com os mestres e principalmente
aos pacientes. Ele nos alertava que a sociedade não nos via como estudantes, e
sim médicos. E devíamos nos portar como tal. Hoje se vai às aulas dentro do
complexo hospitalar de chinelo e bermuda. Sinal dos tempos. Mas esse meu comentário
é apenas um devaneio de alguém que tem a alma antiga, aprendeu a amar e não se
esquecer de seus mestres e de sua antiga casa.
Dias
atrás fui a um museu de medicina que não o visitava há uns 15 anos ou mais. Nas
férias, nos idos dos anos 90, passei certamente centenas de horas em seus
corredores vendo quadros, fotos e livros relacionados à nossa história e nossa
arte. Desta vez notei que o espaço do museu foi reduzido sobremaneira. Não mais
vi as fotos de turmas que ornavam os corredores e senti que parte de mim se foi
junto nem os quadros dos grandes mestres. Motivos técnicos os houve, mas
perdeu-se a beleza e o encanto. Então recordei que em nossa casa, a amada
Medicina UEL, em nosso hospital havia quadros de formandos. Numa das paredes,
estava lá o nosso quadro, o da XLIV Turma de Medicina da UEL. E teu nome estava
lá, nossa eterna patronesse, e homenageada de tantas outras turmas. Quis o
Eterno que anos depois juntos fôssemos homenageados por uma mesma turma da
Gloriosa.
Olhei agora em meu convite de formatura, de 1997 e vejo uma feliz assinatura tua e dos homenageados. Parte de meu tesouro pessoal e de minhas memórias..
Em
nossa casa, Ides, as placas não estão mais lá. Foram retiradas e não mais
colocadas. Ou seja, somos uma casa que pouco valor se dá à memória e culto ao passado.
Alguns têm se levantando, como professores do quilate de Marco Fornazieri, Leandro
Diehl e outros, que ouviram o chamado de preservar nossas memórias e tradições.
Eu também tento, mas com menos talento e dedicação.
Você
não tem um quadro na escola, não me recordo de uma sala com teu nome, uma árvore
plantada em tua memória ou algum evento que se possa recordar daqueles que
dedicaram parte de suas vidas à Gloriosa. Apesar de nossas inúmeras falhas, você
vive na memória daqueles alunos que te amaram como eu.
Tento
aqui, Ides, com estas pobres linhas te eternizar, nestes parcos escritos de quem
tenta ser um aprendiz de memorialista e um cronista pior ainda.
Enfim,
Ides, hoje estou mais triste porque você aqui não está.
Logo
mais irei à nossa casa, o nosso hospital. Passarei no Plátano que plantei,
recordarei você e farei uma prece pedindo a Deus que um dia eu possa ser um pouquinho
digno de você.
Com
saudade infinda e amor filial,
L.
Luiz Carlos Jeolás - 30 anos sem o mestre.
No dia 27 de dezembro de 1990 o mestre se despedia do plano terreno, findara sua missão.
Não tive oportunidade de conhecê-lo. Ele faleceu em 1990 e eu só receberia o batismo com sangue laranja em 1991, ou melhor, me tornaria aluno da Medicina UEL - A Gloriosa.
O pouco que sei eu ouvi de meus antigos mestres e alguns de seus ex-alunos, além da biografia escrita pelo José Pedriali, imperdível leitura aos interessados na história da Gloriosa. O título da obra é O Encantador Jeolás .
Era pneumologista e cirurgião torácico.
Em meados dos anos 70 iniciou-se na arte da pintura. Alguns de meus professores (amigos de Jeolás) ostentam orgulhosamente suas telas em suas casas e/ou ambiente de trabalho.
Impossível não me recordar de São Lucas, o padroeiro da Medicina. Lucas era médico e a tradição o coloca como pintor.
Eurico Branco Ribeiro, médico e escritor, publicou 4 volumes sobre a vida de São Lucas. A obra (atualmente esgotada) se chama Médico, Pintor e Santo.
Ao recordar a obra e o mestre Jeolás estabeleço essa analogia. Jeolás era médico.
Médico: pessoalmente gosto de separar (não sei é invenção minha, mas tenho este conceito estabelecido na mente) aqueles que são médicos daqueles que são técnicos em medicina. O técnico em medicina é aquele que aprendeu sinais, sintomas, diagnósticos e tratamentos. Fazem bem seu trabalho? Sim. Exercem bem o seu papel. Todavia, na minha limitada forma de entender as coisas, ser médico é algo mais. Vai além. Envolve empatia, paixão, entender o sofrimento humano e amenizá-lo. Aquela tentativa de enxergar alma. Para ser médico há que se ouvir e atender um chamado. Ter algo a mais pra ser oferecido. Algo que não se encontra nos livros técnicos e que não se aprende nos bancos escolares. Jeolás era possuidor de tais dons e predicados.
Pintor: Jeolás era pintor. Li que suas obras representavam fases de sua vida. Acho belo o explanar sentimentos e vivências em matizes. Sou daltônico. Das cores e da vida. Faltam-me a sensibilidade e conhecimento para apreciar as artes plásticas. Possuo livros, os leio, procuro obras na internet (em especial Bouguereau) mas confesso ser incapaz de entender a profundidade das telas e tintas. Das artes, tento de forma amadora, crua e sem talento escrever algumas linhas que envio a alguns colegas, roubando seus valorosos minutos à atenção de tão pobres linhas. Perdoem-me.
Jeolás era santo? Se atentarmos à etimologia a palavra santo significa separado, consagrado. Sim, era santo. Foi escolhido e separado para causas maiores: a do ensino e a de amenizar a dor e o sofrimento humano.
Gostaria de tê-lo conhecido. Compartilharia teu tabaco, tomaríamos algumas e falaríamos sobre a vida, teu pendor político, as artes e em especial aquilo que nos une: a Gloriosa. Quem sabe um dia.
Dedico estas pobres linhas à tua memória e aos 30 anos de tua ausência.
Que jamais nos esqueçamos daqueles que dedicaram parte de suas vidas à Gloriosa.