Luiz Henrique, o Kiki.
Ah, Kiki. Ainda me recordo do dia que tomávamos café na cantina de nossa casa, o HU. A casa que teu pai ajudou criar e que tanto amamos. Você me criticava porque eu usava motocicleta (e ainda uso!) e eu dizia que você era maluco por ser adepto do paraquedismo. Ríamos e nos agredíamos verbalmente de uma forma amistosa, se é que é possível. E você mencionava os diversos traumas oriundos dos acidentes com moto que são atendidos diariamente em nosso pronto socorro. Enfim...
Recordo de estar viajando com a família quando recebi a notícia de que você nos deixou. E o foi saltando de paraquedas! Ah, Kiki.
Lembro que você era aluno do curso de medicina de nossa Gloriosa UEL e eu era residente. Como você era divertido, risonho e alegre. Bom companheiro de papo. Filho do austero Prof. Pedro Garcia Lopes, o Espanhol. Todos viam em você o substituto futuro do grande Chefe da tribo. Prof. Pedro foi meu chefe. O homem incutia respeito e eventualmente, medo. Mas era só a casca.
E você segui-lhe os passos. Cursou neurocirurgia, foi pra França e retornou como Professor de Neurocirurgia junto ao pai. Eu já retornara de SP e era docente do setor, onde partilhamos conversas, discussões e um início de amizade. Estava aprendendo te conhecer. Não éramos grandes amigos por questões de tempo de convívio, pois nossos contatos eram apenas semanais nas reuniões do setor. Mas estávamos nos conhecendo. Fortalecíamos a aproximação quando a indesejada das horas te abateu, Kiki. Ah. Kiki...
Lembro em tua despedida ter abraçado o velho pai. Ele chorava e dizia. Olha o Kiki, olha o que aconteceu...
Que dia triste, que dia triste.
Quando teu pai completou 80 anos (já em tua ausência) eu escrevi umas linhas em um somenos artigo chamado: Pedro, a Rocha . Nele, eu escrevi que você decidira aprender voar. E nos ares, de forma tão precoce, encerraria sua missão e retornaria ao Criador. Somente os céus para receber o sorriso tão largo e alma tão generosa. Que perda.
É isso Kiki. Sentimos tua falta e exaltamos tua memória, nestes 11 anos de tua partida.
Voe, garoto!
E como escrevi naquele artigo: Uma de minhas missões é recordar e jamais esquecer daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da gloriosa, a nossa Medicina-UEL. Cultuar seus nomes, suas memórias e seus feitos e fazer com que as novas gerações saibam honrar aqueles que pavimentaram nosso caminho, com suor, sacrifício pessoal e até com a própria vida.
L.

