Samuel Barnsley Pessoa
(31/05/1898 - 03/09/1976)
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| Prof. Guilherme B. Milward |
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Prof. Pessoa lecionando aos alunos da Turma I da MED UEL. Alunos: João Geraldo, Cordoni e Lacerda. |
- um conhaque providencial,
- romance policial, e
- decúbito horizontal.
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| Prof. Guilherme B. Milward |
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Prof. Pessoa lecionando aos alunos da Turma I da MED UEL. Alunos: João Geraldo, Cordoni e Lacerda. |
Professor José Ivan Cipoli Ribeiro - 85 anos!
Neste dia 17 de fevereiro nosso querido Professor José Ivan Cipoli Ribeiro completa 85 anos! Mazal Tov! Bendito seja Deus que nos permite ver nosso antigo mestre comemorar esta data com saúde e bem. É uma dádiva!
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| Prof. José Ivan início dos anos 70 |
Prof. José Ivan foi o pioneiro da Neurologia Clínica no Curso de Medicina da UEL - A Gloriosa! Foi convidado pelo saudoso Prof. Pedro Garcia Lopes em 1971 e com ele vieram os Professores Lamartine Correa de Moraes Juníor e Eliana Christina de Figueiredo de Oliveira Wanderley, formando o núcleo inicial do ensino da Neurologia -Neurocirurgia & Neuropediatria em nossa casa.
Na graduação e internato médico tive pouco contato com o Professor. A Neuro não era a especialidade que pensara em cursar. Posteriormente ao me decidir pela Neurologia, tive maior contato com o Professor quando fui seu residente, nos idos de 1999 a 2001.
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| Lucio e Prof. José Ivan - 2000. |
Tendo residido nos EUA para cursos de pós graduação sempre discutia política americana. Quando o tema era Guerra, discorria sobre a Segunda Guerra, Vietnã, Coreia... Mencionava detalhes da vida de Churchill. A cultura é vasta. Comentou que pensou ser médico na Guerra do Vietnã. Ao ver os campos do cemitério militar de Arlington e a infinidade de cruzes brancas repensou a vida e preferiu se manter na vida civil. Boa escolha, mestre!
Quando eu era residente do primeiro ano na Neurologia deparei-me com um caso de um paciente grave, instável e que me deixou em dúvida e inseguro. Era uma noite e liguei ao Professor. Após poucos minutos ele apareceu no pronto socorro, examinou o paciente comigo, discutiu o caso e conduta. É algo pequeno, mas que jamais esqueci. A curiosidade foi que no dia seguinte o mestre me ligou à noite. Queria que eu mostrasse outros casos porque a experiência na noite anterior havia aguçado a poderosa mente do mestre. Fomos lá!
Sempre menciono que meu maior mentor e mestre é e sempre será o Prof. Luís Sidônio. Ele sabe disso. E sabe que no período da residência o nome que me foi mais importante na formação foi o Prof. José Ivan. Cada um dos docentes teve sua devida importância! Todos! Quer seja pelas virtudes, quer seja pelo erros. Espelhar-se naquilo que é bom e evitar as práticas não construtivas. Do Prof. José Ivan, o que mais me marcou na residência foi a presença diária e constante nas enfermarias de emergência e a lista semanal de artigos para discussão de casos do dia a dia. O homem era incansável. E esteve sempre conosco.
Ato falho: em 2007 o Prof. se aposentou. Em seu lugar foi substituído por alguém de muito menor capacidade, conhecimento e talento: o que escreve estas linhas.
Passados alguns anos de sua aposentadoria, Prof. José Ivan mudou-se para Florianópolis onde continuou exercendo a Neurologia.
O primeiro semestre de 2025 nos deixou preocupados, o coração do querido mestre deu alguns sinais de que estava cansado. Mas como ele me prometeu não me deixar na mão na festa de 35 anos da residência o coração deu uma trégua e o mestre esteve lá pra abrilhantar as festividades.
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| Prof. José Ivan sendo recepcionado por mim na cerimônia de 35 anos. |
Ano passado (2025), a Residência Médica de Neurologia Clínica completou 35 anos! Tivemos a oportunidade de reunir os docentes fundadores da residência (Prof. José Ivan, Prof. Ramón e Prof. Sidônio) e gerações de residentes. Prof. José Ivan foi reverenciado pelos anos de dedicação à nossa casa, assim como os demais fundadores.
Meu querido Prof. José Ivan, foi uma imensa honra ter sido teu aluno na graduação e na residência. O Sr. foi muito importante em minha formação e não há como expressar o quão grato sou ao Sr.
Tive a oportunidade de agradecê-lo pessoalmente e uso estas linhas para expressar a importância que o Sr. tem para mim. Substituí-lo em nossa casa é uma missão difícil de se cumprir. Mas estou por lá! Tentando cuidar, regar e amparar a planta que o Sr. semeou em 1971, no ano que nasci! Evidentemente sem o mesmo talento.
Confesso mestre, que já pensei em deixar nossa casa. Mas quem lança mão no arado não deve olhar pra trás. Sigo em frente, às vezes tropeçando na beira da estrada e logo se levantando. Procurando, no dizer do Ap. Paulo, agir de todo o coração, nãos aos homens, mas ao Senhor Deus, pois a Ele que estou servindo.
Rogo a Deus que o abençoe sempre e que te dê saúde e paz.
Teu nome faz parte de minha história.
Parabéns pelos teus 85 anos, meu mestre!
Do menor de todos,
L.
Reescrevo e atualizo aqui um texto publicado em 2022.
Hoje completam-se 5 anos de sua ausência, meu Professor.
Meu Professor Toledo,
Hoje completamos 5 anos de sua ausência, Professor. No entanto, a semente plantada e regada desde os primórdios de nossa instituição - Medicina UEL.- a Gloriosa - subsiste e rende frutos ainda hoje.
O senhor veio, se a memória não me trai, da PUC de Sorocaba na primeira leva de docentes para criar/dar continuidade à então Faculdade de Medicina do Norte do Paraná. Que os antigos me corrijam, mas creio que veio contigo uma leva de grandes nomes, dentre eles Dr. Thomson (hoje Professor Emérito da UEL!), o saudoso Prof. Guerra, Prof. Siqueira (que partiu recentemente), o primeiro professoe de infectologia - Rogério de Jesus Pedro... Enfim, uma lista de monstros sagrados que araram a terra vermelha.
O senhor tinha uma face sisuda. Um andar lento, muitas vezes com cigarro à mão. Eu encontrava o senhor e perguntava: Dr. Toledo, quantas inalações o senhor já fez hoje? O senhor ameaçava um riso e respondia: Algumas. A inalação que me referia era o cigarro. Mal sabia o senhor, ou talvez soubesse, que tal prática estaria relacionada à doença que de nós o ceifaria há 5 anos.
Quando me tornei docente da Gloriosa (sempre há alguém de menor brilho) passamos a nos encontrar mais frequetemente nos corredores da casa que o senhor ajudou a crescer e à qual tudo devo. O Sr. era o plantonista do Pronto Socorro Médico às quintas-feiras, precedido às quartas pelo saudoso Marcos Camargo e era rendido às sextas pelo Dr. Tercílio Turini. Conversávamos sobre o passado, o começo do curso, como era Londrina nos anos 70... E assim conseguia que o senhor se abrisse um pouco (só um pouco, mas dava certo). E aprendia um pouco da vida e da arte de ser médico.
Viver é algo realmente estranho. Quando eu estava no início do curso médico eu olhava o Sr. e a tua geração e tinha a impressão de que vocês eram velhos (perdoe a indelicadeza, era a tolice da juventude). Eu tinha 20 anos e vcs estavam na casa dos 50. E hoje, professor. Quem está na casa dos 50 sou eu e é assustador como o tempo passa. É cruel.
Quando o senhor iniciou sessões de fisioterapia em nossa clínica privada, sempre apertava a agenda pra te dar um abraço e trocar umas palavras. Eu encontrava o fisioterapeuta responsável pelo senhor e dizia: Cuida bem dele. Ele foi meu professor e ajudou a formar uma geração.
Essa foto que insiro aqui foi de um dos momentos que o senhor nos visitou.
Estou pensando no senhor e me recordo de um de meus ídolos: Rubem Braga. Alguns o chamavam de Urso. Sério, bravo, mas que habitava nele um enorme coração, tal qual o teu.
Algumas semanas antes de tua partida fui visitá-lo. O Sr. estava mais abatido, cansado, dando sinais de que se aproximava o fim de tua peregrinação.
Saudades do senhor, o Urso da cardiologia pé vermelha.
Que jamais nos esqueçamos daqueles que dedicaram suas vidas à Gloriosa e que os jovens saibam cultuar e rememorar seus feitos.
Do menor dos alunos, e agora velho,
L.
Dr. Pedro,
Semanas atrás, ainda em janeiro, escrevi aqui neste blog algumas linhas sobre a perda de teu filho, o Kiki. Soube pelo Pedroca, (teu filho mais velho) que ele lhe leu o texto e o Sr. ficou tocado e agradecido. Como iríamos saber que 20 dias depois chegaria tua hora?
Meu Pedro, estive trazendo à memória alguns momentos e os mencionarei aqui.
Creio que a primeira vez que te vi foi entre 1991 e 1992. Eu era calouro da Gloriosa MED UEL, a escola que teu irmão fundou e que o Sr. foi nosso inconteste chefe. Recordo de estar no saguão principal do HU e um grupo de médicos descia a escadaria que vem das enfermarias. Na frente, o Sr. liderava o grupo. Avental branco impecável com nome bordado, gravata, canetas vistosas no bolso. Imponência... Pensei: esse homem é importante, deve ser o chefe. E atrás o seguia o grupo de médicos e na sequência residentes e alunos. Estes, no fim da fila. Alguns anos depois eu estaria também no fim dessa fila. Dela, jamais saí. Estou ainda lá, o último da fila, o menor de todos.
Depois me recordo, passados uns 3 anos que o Sr., numa sala de madeira, veio apresentar o Curso de Neurologia para alunos do quarto ano. Antes de adentrar à sala, eu portava à mão um livro recém adquirido e o Sr. perguntou que livro era. Ao mostrá-lo o Sr disse: Essa é a Bíblia. Era (tenho até hoje) o manualzinho do Adams. A versão resumida! O Sr. sabe como aluno é preguiçoso e tem seus macetes. Na residência, o extenso tratado completo foi meu companheiro das leituras noturnas.
Luiz Henrique, o Kiki.
Ah, Kiki. Ainda me recordo do dia que tomávamos café na cantina de nossa casa, o HU. A casa que teu pai ajudou criar e que tanto amamos. Você me criticava porque eu usava motocicleta (e ainda uso!) e eu dizia que você era maluco por ser adepto do paraquedismo. Ríamos e nos agredíamos verbalmente de uma forma amistosa, se é que é possível. E você mencionava os diversos traumas oriundos dos acidentes com moto que são atendidos diariamente em nosso pronto socorro. Enfim...
Recordo de estar viajando com a família quando recebi a notícia de que você nos deixou. E o foi saltando de paraquedas! Ah, Kiki.
Lembro que você era aluno do curso de medicina de nossa Gloriosa UEL e eu era residente. Como você era divertido, risonho e alegre. Bom companheiro de papo. Filho do austero Prof. Pedro Garcia Lopes, o Espanhol. Todos viam em você o substituto futuro do grande Chefe da tribo. Prof. Pedro foi meu chefe. O homem incutia respeito e eventualmente, medo. Mas era só a casca.
E você segui-lhe os passos. Cursou neurocirurgia, foi pra França e retornou como Professor de Neurocirurgia junto ao pai. Eu já retornara de SP e era docente do setor, onde partilhamos conversas, discussões e um início de amizade. Estava aprendendo te conhecer. Não éramos grandes amigos por questões de tempo de convívio, pois nossos contatos eram apenas semanais nas reuniões do setor. Mas estávamos nos conhecendo. Fortalecíamos a aproximação quando a indesejada das horas te abateu, Kiki. Ah. Kiki...
Lembro em tua despedida ter abraçado o velho pai. Ele chorava e dizia. Olha o Kiki, olha o que aconteceu...
Que dia triste, que dia triste.
Quando teu pai completou 80 anos (já em tua ausência) eu escrevi umas linhas em um somenos artigo chamado: Pedro, a Rocha . Nele, eu escrevi que você decidira aprender voar. E nos ares, de forma tão precoce, encerraria sua missão e retornaria ao Criador. Somente os céus para receber o sorriso tão largo e alma tão generosa. Que perda.
É isso Kiki. Sentimos tua falta e exaltamos tua memória, nestes 11 anos de tua partida.
Voe, garoto!
E como escrevi naquele artigo: Uma de minhas missões é recordar e jamais esquecer daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da gloriosa, a nossa Medicina-UEL. Cultuar seus nomes, suas memórias e seus feitos e fazer com que as novas gerações saibam honrar aqueles que pavimentaram nosso caminho, com suor, sacrifício pessoal e até com a própria vida.
L.
*Dez anos sem o Professor Lauro Brandrina*
Passaram-se dez anos desde que se calou a voz de nosso professor pioneiro da MED UEL - A Gloriosa.
Prof Brandina, que em seus iniciais planos viria à Londrina para ficar um curto tempo e retornaria à Terra da Garoa, permitiu que o pó vermelho de dessas terras se misturrasse à seu sangue e nunca mais abandonou a Pequena Londres.
Esteve presente no Primeiro Transplante de Coração do Brasil e foi um dos responsáveis pelo Primeiro Transplante de Rim no Paraná, no Hospital de nossa UEL, em 1973.
Líder de uma geração de cirurgiões e urologistas e professor inesquecível de nossa casa, elevou o nome da Gloriosa a todo território nacional.
Dos grandes e inúmeros discípulos formados, em especial cito um: este que herda os genes paternos e abraçou a mesma causa do ensino: seu brilhante filho e nosso colega Ricardo Brandina.
Dez anos sem o mestre!
Que os mais novos aprendam e saibam seus feitos e que jamais nos daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa.
De um ex-aluno, o menor de todos.
https://www.youtube.com/watch?v=OoB_jjGBvWI Assistam!
Prof. CARLOS DA COSTA BRANCO
CENTENÁRIO DE SEU NASCIMENTO.
Republico texto escrito 10 anos atrás.
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| Dr. Carlos da Costa Branco |
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| Renato Locchi 1896-1978 |
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| Alfonso Bovero 1871-1937 |
Pe. Philip Said. 10 anos de sua morte.
Eu era o plantonista chefe na noite de 06 de novembro de 2013, quando recebemos em estado grave - no pronto socorro de nosso HU - o Padre Philip. Pouco a medicina dos homens pode fazer por ele naquela noite. No entanto, a cura completa para todos os males do mundo e da alma muito em breve lhe seria oferecida: um outro lugar muito melhor estava reservado para aquele que na Terra dedicou sua vida a serviço e à Glória do Altíssimo. Perdemos o Padre Philip. Recebeu ele um lugar junto ao Eterno.
Nós que somos mais antigos nos corredores da Gloriosa convivemos com Padre Philip. Um homem diferente. Bengalinha à mão, cachimbo sempre aceso na boca, o sotaque maltês, uma bronca aqui, outra acolá.... Uma das figuras folclóricas de nosso querido HU.
Das poucas vezes que conversei com ele falávamos sobre tabaco. Ele fumava cachimbo e eu adorava o cheiro, assim como dava minhas baforadas também. As questões espirituais eram deixado de lado. Deveria ter explorado mais os assunto da fé. Teria aprendido com ele. Não era dado a vaidade e também não tinha muito freio no vocábulo. Um padre raiz. Imagino o que ele diria dos padres pops de hoje em dia. Nada contra. Apenas imagino o contraste.
Leio que foi a convite do saudoso Dom Geraldo Fernandes que Padre Philip veio ao Brasil, ainda jovem, para desenvolver trabalhos da fé. Ordenado em Londrina, prestou serviço local por 40 anos. Em nosso hospital foi Capelão, levando serviços da fé cristã aos necessitados. Fundou na cidade, em 2000, a Pastoral da Esperança. Aprendo que a Pastoral da Esperança realiza além das exéquias, trabalho de conforto aos enlutados nesta fase difícil da vida.
Gosto da carta do Apóstolo Paulo à igreja de Tessalônica: Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
Enfim, nossa confiança está naquEle que nos dá a esperança de um mundo melhor.
Deve ter sido honroso o chamado daquEle que nos redimiu: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
Saudades.
QUAL O VALOR DE UMA PLACA?
Em início dos anos noventa era eu um jovem aprendiz na escola médica. Dava meu primeiros passos no belíssimo campus da UEL e nos corredores de nosso hospital, o HU, como membro da Gloriosa, a nossa Medicina-UEL. Já não sou mais jovem embora ainda seja um eterno aprendiz.
No saguão, na entrada de nosso hospital, sempre me deparava com as placas das turmas que por nossa casa passaram. Alguns nomes já não estavam entre nós, outros viriam a ser meus docentes, outros amigos e colegas na docência...E com o tempo muitos já se foram. Nessas paredes, em razão de pouco espaço, a algumas turmas era dada a possibilidade de deixar uma placa no saguão. E eram elas que eu passava minutos admirando, muitas e muitas vezes, ao longo das semanas, meses e anos em que ela frequentei.
Um belo dia as placas foram retiradas. Não sei explanar a razão. E ficaram anos longe das paredes de nossa casa. Minha turma - a 44 - foi agraciada com uma placa. Meu nome e o de meus pares estavam lá. Lembro quando foi descerrada e recordo a alegria de meus amigos e amigas ao terem eternizados seus nomes na parede da casa a que tudo devíamos, que tanto por nós fez e o quão pouco a ela retribuímos. Estaríamos ali para sempre. No entanto, foram retiradas e longe de nossa casa permaneceriam, por muitos anos.
Certa vez, já docente da casa, procurei saber a razão da retirada e onde estavam. Nunca soube ao certo nem uma e nem outra. Protocolei um pedido junto à Universidade para que se desse uma resposta de onde estavam as placas, pois aquilo (as placas) fazia parte da memória de uma instituição. Tempos passaram, houve até questões judiciais envolvidas e por fim foram localizadas. Alguns colegas (quando eu perguntava das placas) riam e achavam um absurdo se preocupar com algo tão banal, tão material (placas?) quando se há tanta coisa mais importante para o desenvolvimento dos trabalhos no hospital. Concordo, há questões emergenciais que demandam maior empenho. Não há dúvida. Mas eu sou uma pessoa limitada, meu prazer e deleite permeiam a área da memória, da tradição, o honrar a quem é devido honra, no dizer do apóstolo Paulo. Não tenho lá tantas virtudes. Mas o amor à causa da Gloriosa, sua história, seus nomes e seus feitos fazem parte do objeto de minha veneração.
Uma da filhas da Gloriosa, Profa. Susana (Turma 34) foi uma das que abraçou a causa do resgate de nossas placas. A ela devo o agradecimento do achado e busca. Talvez haja mais pessoas envolvidas, mas não sei os nomes e de antemão peço perdão por minha falta.
Qual o valor de uma placa? No sentido material: quase nada. A Turma I da Gloriosa - que ano passado completou seu Jubileu de Ouro - sentiu-se assaz incomodada ao visitar a antiga casa e não mais encontrar seus nomes, sua placa. Para eles era um símbolo! Uma marca. Confessou-se a mim que se a instituição nao tinha interesse em expor sua placa que se desse aos membros da Turma. eles saberiam honrá-la. Mas não é apenas uma placa de metal? Qual o valor de uma placa? A Turma 2 - que no próximo mês reunir-se-á para seu Jubileu de Ouro - possui uma placa que foi inserida em seu Jubileu de Prata. E esta também esteve fora da casa. Qual o valor de uma placa?
A placa representa o triunfo de homens e mulheres que ousaram criar uma Escola Médica de alto padrão no interior do Paraná. A placa representa o esforço de jovens recém saídos da adolescência em busca do aprendizado da mais bela e nobre das ciências. O convívio diário em ambiente hospitalar os forjaria homens e mulheres fortes para lidar com a dor e o sofrimento, no exercício hipocrático. Cada nome ali representado em cada placa resume noites acordadas abraçado aos livros, horas e horas de intermináveis plantões, estudo, cansaço, às vezes até humilhações... mas se cumpria o trato e se finalizava a tarefa, pois o que se almejava era maior que o sofrimento. Qual o valor disso? Cada nome representado numa placa significa: renúncia, dedicação, trabalho e os louros do dever cumprido. Isso é o valor de cada placa.
Recentemente, a atual Direção do Centro de Ciências da Saúde (CCS) representada pela Profa. Andrea Name aquiesceu o desejo de resgatarmos as placas e colocá-las nas paredes de nossa casa, de onde nunca deveriam ter saído. Agradeço e muito Profa Andrea, Prof. Alessandro Melanda (Colegiado de Medicina) e demais Coordenadores dos outros cursos do CCS que concordaram em ceder espaço e entenderam o valor de honrar o passado.
Hoje (domingo) estive lá vendo e organizando o cenário. As placas retornam à Casa da Gloriosa. Na medida em que eram inseridas lembrei de meus mestres que já se foram, de outros que se aposentaram, de contemporâneos, de alunos que hoje são professores das novas gerações de filhos da Gloriosa. Estão ali, eternizados no metal, servindo de exemplo aos futuros médicos e professores de nossa casa.
Qual o valor de uma placa? Representa parte gloriosa da história de nossas vidas.
Que os mais novos jamais se esqueçam daqueles que dedicaram parte de suas vidas à causa da Gloriosa e que possamos honrar suas histórias e seus feitos.
Do menor filho da casa,
Lucio Baena de Melo (Turma 44).
Pedro, tu és a rocha.
Foi
desta forma que o Divino Mestre chamou aquele que seria seu maior líder: Tu
és Pedro, tu és a rocha. Há 2000 anos aquele pescador ouviu o chamado. Em
poucos anos suas ideias, seu trabalho tenaz e persistência incendiariam a
humanidade. Aquele era Pedro, o pescador, o Bispo de Roma pela tradição
católica. Era um homem bravo. O Apóstolo S. Lucas menciona que certa vez Pedro
desembainhou a espada e decepou e orelha de Malco, servo do sumo sacerdote,
quando soube que uma tocaia havia sido montada para prender o Seu Senhor. E
ainda assim foi o escolhido para ser a pedra, a rocha que estabeleceria a
igreja cristã sobre a Terra. Penso cá comigo, se aquele Pedro não era espanhol,
como o nosso o é.
Pedro – aquele
– faleceu jovem em torno do ano 60 da era cristã, a mando de Nero. Mas como bom
pescador soube lançar a rede para que a renda viesse em abundância. Sua
semeadura ainda hoje se ceifa. Produziu a cento por um, no dizer do
evangelista.
O
nosso Pedro hoje completa 80 anos. Pedro, tu és a rocha! Nosso Pedro também ouviu
um chamado. Em fins dos anos 60 e início dos 70, sobre seus ombros seria
lançado um desafio: montar e liderar um grupo na Universidade. Neste mesmo
serviço, que hoje é nossa casa, a nossa rocha seria o primeiro Professor
Doutor, ao defender sua tese em maio de 1970. Anos depois, sob suas redes o pescador
montaria a residência de neurocirurgia, seria chefe de um grande serviço, e se
tornaria meu primeiro e inesquecível chefe. Para liderar um grande grupo só
mesmo aquele que tem no nome a marca da pedra. Pedro, a rocha.
Pedro,
o bispo de Roma, teria atritos em sua jornada. Paulo, o apóstolo dos gentios, o
encontraria e discutiriam face a face. Ah, Paulo. Certamente ele não ouvira
sobre o ocorrido com a orelha de Malco. Se acaso soubesse, pôs a orelha em risco. Homens
fortes e de opiniões rijas. De pedra, como nosso Pedro, a rocha.
Nosso Pedro
foi titular da cadeira até se aposentar, aos 70 anos. Alguns anos antes fui
aceito como parte do grupo, o mais jovem membro da seita (assim define a
neurologia meu mestre Sidônio). Passados 10 anos continuo por lá. Não sou o
mais jovem mas prossigo ainda sendo o menor de todos, sentindo falta de Pedro,
a rocha.
Pedro, o nosso
espanhol, não usava o anel do pescador nem o cetro como o Pedro de Roma. Nosso Pedro
exerceu cargo de liderança. Ora com toques de seda, ora com punhos de ferro, ou
melhor, de rocha. Não deve ser fácil liderar um grupo tão heterogêneo, em
especial onde a vaidade tem cadeira cativa. Às vezes o remédio deve ser forte,
e nem todos estão dispostos a provar o sabor do amargo. Às vezes, para derrubar
muros, a pedrada tem que causar estilhaços. Entendo aquele que tem por rocha
seu nome.
Nosso Pedro
sofreria um grande e irreparável ataque. O filho amado e futuro sucessor
decidiu aprender voar. E nos ares, de forma tão precoce, encerraria sua missão
e retornaria ao Criador. Somente os céus para receber o sorriso tão largo e
alma tão generosa. Que perda. A rocha foi ferida e não seria mais a mesma.
Escrevo estas
linhas, como seu ex-aluno, ex-colega de serviço e amigo, expressando minha
sempre gratidão. Uma de minhas missões é recordar e jamais esquecer daqueles
que dedicaram parte de suas vidas à causa da gloriosa, a nossa Medicina-UEL. Cultuar
seus nomes, suas memórias e seus feitos e fazer com que as novas gerações
saibam honrar aqueles que pavimentaram nosso caminho, com suor, sacrifício
pessoal e até com a própria vida.
Parabéns pelos
80 anos.
Obrigado meu
sempre chefe, a Rocha.
EDUARDO DE ALMEIDA REGO FILHO, 15 anos sem o mestre.
Eu era quintoanista do curso de medicina, na nossa Gloriosa Medicina UEL, quando iniciei a parte prática do curso - que chamamos Internato Médico. O primeiro estágio que teria contato seria a Pediatria. Era o chefe da enfermaria o Prof. Dr. Eduardo Rego, um dos responsáveis pela estruturação da Pediatria no curso de Medicina da então Faculdade de Medicina do Norte do Paraná, a nossa Gloriosa, em início dos anos 70.
Minhas impressões era, de que era um misto de homem severo e bonachão. Pessoalmente, aprendi a gostar da disciplina ao conviver com ele na enfermaria. Disciplinado, exigente e justo. Numa época em que não havia tablets, smartphones e os celulares estavam sendo lançados, ele possuia um caderninho de bolso que era um verdadeiro compêndio de pediatria. Conforme passávamos visita na enfermaria, quando havia dúvidas de doses, esquemas terapêuticos e detalhes que fugiam à memória, ele sacava a enciclopédia do bolso e nos dirimia. Onde estará este caderninho? Gostaria de tê-lo em meus guardados de história do curso.
Ainda aluno, tive a oportunidade de ter várias conversas na cantina com o mestre. Parece que tínhamos horário marcado. O difícil era abordá-lo, quebrar o gelo. No entanto, após algumas frases (sempre tinha que ser estimulado) o mestre se abria em sorrisos, causos e conselhos. Eu era bom em puxar a conversa, e ele cedia. Era um aprendizado sobre a vida. Apaixonei-me pela pediatria. Eu amava tanto cuidar dos pequenos que percebi não ter estrutura emocional pra viver isso para sempre, vê-las internadas, privadas de uma vida normal fora do ambiente hospitalar, por mais que cuidássemos para que o local fosse alegre e atrativo. O Eterno me reservava outros planos.
Como essa vida é curiosa: meu sogro - aluno do velho mestre - enveredou-se pela pediatria . Esteve o velho mestre no casamento de meus sogros. Anos depois, minha esposa seguiria o caminho do pai e do antigo professor. Cursou a residência na mesma escola. Anos depois seria integrada à docência no mesmo departamento e universidade. É o cumprimento da máxima das escrituras: Pelos frutos os conhecereis.
O mestre era formado pela Universidade Estadual da Guanabara. Adentrou à nossa casa em 1971 e posteriormente se tornaria Professor Titular de Pediatria e Cirurgia Pediátrica. .
Faleceu aos 69 anos, 15 anos atrás.
Formou uma pleiade de discípulos que honra a tradição de nossa casa, de nossa cidade e o seu próprio nome, que jamais deve ser esquecido.
Saudades do velho mestre.
Que os mais novos possam conhecer sua memória e seus atos e que jamais nos esqueçamos daqueles que dedicaram suas vidas à causa da Gloriosa.
ALTAIR JACOB MOCELIN - 10 anos sem o mestre.
ALTAIR JACOB MOCELIN - 10 anos sem o mestre.